João Jorge e Jacobina Maurer

João Jorge e Jacobina Maurer

I m A g E m

I m A g E m
O Velho do Espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

segunda-feira, 31 de março de 2008

12. MeMóRiA SiNDiCaL - TODAS LUTAS DE UMA VIDA

" naquela mesa ele sentava sempre e me dizia contente o que é viver melhor,
naquela mesa ele contava histórias que hoje na memória eu guardo e sei de cor, 
naquela mesa ele juntava gente
 
e contava contente o que fez de manhãe nos seus olhos era tanto brilho que mais que seu filho eu fiquei seu fã...
naquela mesa ta faltando ele 
e a saudade dele ta doendo em mim
naquela mesa ta faltando ele 
e a saudade dele ta doendo em mim"
Naquela Mesa – Nelson Gonçalves

NELSON  EDI  GAUTÉRIO  DE  SÁ


Cidadão de todas as lutas

Nelson de Sá foi um cidadão de todas as lutas, foi cortador, um trabalhador da indústria do calçado na época que esta profissão mais do que um ofício, era uma manufatura, uma arte. Mas a arte que realmente tocou o coração e transformou a vida de Nelson de Sá foi a arte da política. Nelson de Sá fez da política sua vida. Cada dia dentro das fábricas, nos sindicatos, nas associações de moradores, nas ruas, nos ônibus e em cada vila de cada cidade desta região foi dedicada por Nelson de Sá a política.
Anos 60

No final dos anos 60, o jovem Nelson de Sá era militante da JOC – Juventude Operária Católica – ocupando um espaço possível de atuação que existia porque suas convicções aproximavam-no muito mais dos comunistas do que dos católicos. Apesar da ditadura militar e do AI-5 ele integrou uma chapa de oposição à diretoria do sindicato dos sapateiros de Novo Hamburgo. Após a derrota na eleição sindical, Nelson de Sá e vários dos integrantes da chapa são denunciados ao DOPS e presos. Depois de conhecer a perseguição e os métodos de interrogação do DOPS são liberados já sabendo que fora da cadeia o desemprego os esperava. Nelson de Sá obriga-se a retornar com a família para Rio Grande, sua cidade natal, até a situação melhorar.



A militância comunitária e o MDB


Pouco tempo depois está de volta à Novo Hamburgo. Nos anos 70, Nelson de Sá participa da organização do movimento comunitário, fundando várias das atuais associações de moradores de nossa cidade e organizando as primeiras ocupações de áreas públicas e privadas de terras para forçar as administrações municipais e estadual a investirem em habitação popular. Á partir da ACGO -Associação Comunitária dos bairros Guarani e Operário, Nelson de Sá ajuda na fundação das associações da Vila Dois de Setembro (Sanga Funda), Roselândia, Santo Afonso, vila Iguaçú entre várias outras. No final dos anos 70 Nelson de Sá atua na Tendência Socialista, um grupo à esquerda que, por dentro do MDB, discutirá e apoiará a fundação do Partido dos Trabalhadores – PT.

Um militante profissional

Neste período, entre os anos de 1977 e 1982, Nelson de Sá trabalha como educador popular da FASE, entidade de formação e assessoria às lideranças do movimento sindical e comunitário. É um militante assalariado para organizar e contribuir com as lutas do movimento comunitário e sindical. Em 1980 Nelson de Sá participa da fundação do PT em São Paulo e participa da primeira direção do PT gaúcho. Em 1982 afasta-se da FASE para concorrer a deputado estadual, abre mão de um emprego estável e bem remunerado para construir o partido.


Sindicato é prá lutar

Em 1983 é eleito vice-presidente estadual do PT gaúcho. Concorre pelo PT a deputado estadual em 1982 e 1986 e a vereador em 1988 e 1992. No início dos anos 80 as oposições sindicais, incendiadas pelo exemplo do ABC paulista, surgem por todo o Vale do Sinos e Nelson de Sá participa ativamente dessas disputas nas entidades sindicais de trabalhadores. Desse período destaca-se a vitória no sindicato dos metalúrgicos de NH em 1980, a primeira vitória de uma oposição sindical no RS depois do golpe de 1964. Muitas outras virão depois como os metalúrgicos de Canoas, em 1981, de São Leopoldo, em 1983, os sapateiros e os bancários de NH, em 1986. Com a vitória nos sapateiros de Novo Hamburgo Nelson de Sá assume o Departamento de Moradia do Sindicato.

Uma vida, muitas lutas


De forma combinada com a militância sindical Nelson de Sá participa da luta contra a carestia e pela melhoria das condições dos transportes coletivos. É o primeiro presidente da UAC - União das Associações Comunitárias de Novo Hamburgo e também diretor de transportes da FRACAB - Federação Rio-Grandense de Associações Comunitárias e de Amigos de Bairros do RS. O PMDB na Administração Municipal de Novo Hamburgo desenvolve uma política de cooptação das lideranças comunitárias que acaba tirando Nelson de Sá do comando da UAC. Nelson de Sá articula a criação e dirige outra entidade comunitária, o CENACOM - Centro de Associações Comunitárias de NH. Alguns anos depois irá criar também a ADEMPA - Associação de Defesa do Meio-Ambiente e da Moradia Popular de Novo Hamburgo.


Sem tempo de pensar em si


Em 1988, na condição de suplente do PT na Câmara Municipal, assumirá diversas vezes a titularidade como vereador em Novo Hamburgo. Ao mesmo tempo, desde o início de 1989, exerce a função de assessor do partido na Câmara Municipal. Nesse momento Nelson de Sá estava fisicamente debilitado. O assassinato do filho mais velho, Giovani, numa briga de bar durante um período de carnaval agravou seus problemas de saúde. Nelson foi vítima de atropelamento no início de um feriadão no mês de agosto de 1998. Foi localizado noHospital Municipal, pelos familiares e companheiros do PT, três ou quatro dias depois. Permaneceu em coma profundo mais alguns poucos dias até falecer no dia 22 de agosto em plena campanha eleitoral de 1998 que levaria o PT ao Governo Gaúcho.
Nelson de Sá foi velado na sede do PT de Novo Hamburgo e foi homenageado por homens e mulheres, adultos e crianças, militantes do PT, do PDT, do PMDB, do PCdoB, do PSB. Foi acompanhado até o Cemitério Municipal pela maior e mais silenciosa carreata que Novo Hamburgo já viu. Centenas de carros com as bandeiras vermelhas erguidas, em silêncio. Durante o sepultamento o deputado federal e futuro vice-governador Miguel Rosseto dirigiu a Nelson de Sá as últimas palavras. Chorou Miguel Rosseto e choramos todos nós que aprendemos a gostar e admirar Nelson de Sá.

Heróis anônimos

Nelson de Sá morreu como morrem a cada dia os heróis anônimos da classe trabalhadora, vítimas da violência cruel e da estupidez dos tempos modernos, vítima da negligência de um sistema de saúde falido, que trata como indigentes mesmo os que portam documentos e são figuras públicas da cidade. Nelson de Sá dedicou sua vida à luta dos movimentos sociais e à organização partidária. Nos tempos duros que viveu Nelson de Sá deixou um grande exemplo. Numa época em que muitos que podiam pouco faziam e pouco arriscavam Nelson de Sá será lembrado como alguém que, mesmo tendo pouco, arriscou tudo.



Nelson de Sá viveu as lutas sociais e conflitos pessoais do seu tempo, optou e pagou o preço de sua opção, submeteu seus interesses individuais a uma existência coletiva. Cuidou muito mais dos outros do que de si próprio, conviveu com os 'estranhos' mais do que com seus próprios familiares, travou sua luta pessoal e particular com o alcoolismo. Não cabe a ninguém seu julgamento pois Nelson de Sá divergiu e desentendeu-se com muitos e foi amado e respeitado por todos nós. Sua desconfiança e sua ironia, seu senso crítico e sua falta de amor próprio eram características próprias. Foi um daqueles que Bertold Brecht chamou de imprescindíveis, porque não lutou uma batalha como os soldados, nem lutou um ano como os guerreiros, nem lutou muitos anos como os revolucionários, Nelson lutou toda sua vida, como lutam os heróis.
Obrigado NELSON EDI GAUTÉRIO DE SÁ, a luta continua!!! Valeu companheiro!!!


                                                                           Gilnei Andrade

domingo, 30 de março de 2008

Tradicionalismo

O estranho país dos gaúchos

“Sou maior que a história grega,
Sou gaúcho e me chega,
pra ser feliz no Universo”

Marco Aurélio Campos


O tradicionalismo gaúcho nasceu no entardecer do século XIX tendo como figura maior o Major João Cezimbra Jacques. Do surgimento do Grêmio Gaúcho de Porto Alegre, em 1898, até o ano de 1948, surgiram várias iniciativas no sentido de construir núcleos de culto ao gauchismo, alcançando um sucesso relativo.

A sociedade começava a separar-se, de um lado a urbana para não se confundido com a sociedade pastoril, reunia-se nos clubes comerciais (elite) e Caixeral (mídia) enquanto ao peão restava apenas o aconchego do galpão e da viola, onde cantava seu amor a terra.
Surge em Pelotas, a União Gaúcha criada em 1899 por João Simões Lopes Neto. Este elucidava o porquê da criação de tal agremiação: “Hábitos saudáveis na família estão sendo cada dia, abolidos. Brincadeiras infantis, esquecidos. Praticas e Usanças características, desprezadas. (...) é o lento suicídio de nossa personalidade.”

As agremiações criadas ainda, no século XIX, como grêmio gaúcho de Porto Alegre (1898), União Gaúcha (1899), Centro Gaúcho de Bagé (1899) e no inicio do século XX o Grêmio Gaúcho de Santa Maria (1901), Sociedade Gaúcha Lomba Grande (1938) e o Clube Farroupilha de Ijuí (1943) foram o despertar do patriotismo como uma alavanca na afirmação da identidade local. Era a semente que germinaria com muita força na segunda metade do século XX.

Enquanto Simões Lopes Neto divulgava seus trabalhos folclóricos, no Rio de Janeiro os sul-riograndenses ganhavam o apelido de “gaúchos”. O Dr. Severino de Sá Brito registrava com simpatia a novidade: "De algum tempo nossos amáveis patrícios do RJ nas suas habituais gentilezas nos alcunham de gaúchos, por darem a essa palavra uma expressão de galhardia e elevação”

Mas no Rio Grande o fato causou mal estar à elite urbana, onde saiu no Almanaque do RS em 1912 o artigo “gaúcho, por quê?”. As criticas eram enormes, a ponto de Cezimbra Jaques exilar-se no RJ para não ser ridicularizado.

Após a primeira grande guerra, já na década de 20 os riograndenses já vinham aceitando, sem maiores restrições, a alcunha de gaúcho, que vinha, coincidentemente com os modismos de fora. A classificação dada era relacionada à perícia campeira, das habilidades exercidas sobre os animais nas lidas de campo da estância.

Em 1947, em Porto Alegre, surgiu um núcleo constituído por jovens interioranos que tiveram a felicidade de conceber uma forma associativa calcada totalmente na vivência do gaúcho campesino, do que resultou a criação do 35 Centro de Tradições Gaúchas, em abril de 1948.No final dos anos setenta era comum afirmar que as tradições gaúchas estavam acabando, mas o que se verificou nos anos oitenta foi o fortalecimento do gauchismo. O surgimento de mais de quarenta festivais nativistas durante esta década com certeza contribuiu para a afirmação da cultura tradicionalista, principalmente nos centros urbanos sendo muito comum o uso da bota e da bombacha por jovens que nunca encilharam um cavalo ou participaram de lidas de campo.

Mesmo contribuindo para a divulgação e a afirmação da cultura riograndense os festivais sofreram restrições dos tradicionalistas, pois , se os tradicionalistas defendem e pesquisam a cultura desde o seu passado, os nativistas vêem a cultura partindo dos dias atuais. Mesmo existindo divergências entre tradicionalistas e nativistas a importância de ambos não pode ser desprezada, pois as suas preocupações são voltadas para a mesma temática, ou seja, os usos e costumes dos gaúchos.

Passaram-se pouco mais de cinqüenta anos e daquela semente inicial surgiu uma frondosa árvore cujos ramos se constituem, hoje, nos mais de dois mil e quinhentos núcleos dedicados à cultura gaúcha. O surgimento do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), enquanto federação (associação), no ano de 1966, foi uma decorrência natural da necessidade de uma orientação unificada e de normas que pudessem organizar aquele movimento de culto ao gauchismo, surgido espontaneamente do seio da sociedade sul-riograndense. Nascido com pretensões limitadas, o movimento tradicionalista de Barbosa Lessa e Paixão Cortes transformou-se no maior movimento cultural já existente no Brasil.

Chegamos ao século XXI com um Movimento Organizado, talvez exageradamente formalista, mas forte o suficiente para ocupar um espaço mais generoso na sociedade gaúcha.
Somente no Rio Grande do Sul, o MTG congrega 1475 entidades juridicamente constituídas e que, somadas, totalizam mais de um milhão e meio de sócios. O Movimento constitui-se, desta forma, numa respeitável força social, cultural, política e econômica. As atividades típicas do gauchismo, realizadas pelas entidades tradicionalistas, movimentam um volume fantástico de recursos financeiros e se constituem no maior motor do turismo interno no Estado. São realizados, em média, duzentos eventos tradicionalistas por semana, dos quais participam no mínimo cem pessoas e alcançam a dezenas de milhares, nos rodeios de maior envergadura.

De outra parte, como entidade responsável pela preservação e fortalecimento dos aspectos da tradição gaúcha, o MTG tem assumido posições muito claras no combate às iniciativas que deslustram a nossa música, a indumentária e a encilha típicas gaúchas. A posição do MTG não é contra a quem quer que seja e nem tem o objetivo de impedir o surgimento de outras manifestações, mas tem a finalidade de favorecer, premiar, valorizar aqueles que mantém a tradição nas suas manifestações e na sua forma de vestir ou de encilhar o cavalo. Acreditamos que podemos alcançar o global cantando o local como afirmou Tolstói e como estabeleceu Glaucus Saraiva ao redigir a Carta de Princípios do Tradicionalismo Gaúcho, adotada desde 1961.

Colaboração de Ubiratan da Cunha Guilherme
Tradicionalista e Academico de Relações Públicas da Faccat.

terça-feira, 11 de março de 2008

JÂNIO QUADROS DE SAIAS (ou de pantalha)

                                                        PARA QUEM NÃO VIU...



Para quem não teve a oportunidade de ver a Yeda no Jô, vale a pena ler a matéria de Vivian Eichler, na Zero Hora de hoje. É antológica. Para ler, recortar e abrir a coleção sobre o governo tucano que vem aí. Aqui vai um aperitivo:

“...Jô demonstrou saber que o marido de Yeda é natural do Rio Grande do Sul. A tucana complementou explicando que Carlos Crusius é de Passo Fundo. “Terra de Teixeirinha. Aquele do churrasquinho de mãe”, disse, mexendo as mãos como se assasse um churrasco.

“A terra ali em Passo Fundo tem várias esculturas do Teixeirinha”, prosseguiu a deputada federal. De fato, em Passo Fundo há uma escultura do artista, no centro da cidade. Mas apenas uma, conforme informou a prefeitura do município onde Teixeirinha começou a fazer sucesso musical”...E por aí vai....

Escrito por Marco Weissheimer às 12h14



Janio Quadros de saia ( ou de pantalha)

Atenção, povo gaúcho! Hoje é um dia de glória e júbilo para o Rio Grande velho de guerra. Os sonhos de Bento Gonçalves se realizaram. Finalmente será aberta a nossa embaixada em Brasília. Não tem pra ninguém. É o único Estado a ter uma embaixada em Brasília.
 
Partiu da própria governadora Yeda Crusius (PSDB) a idéia de chamar de embaixada o escritório de representação do RS em Brasília. O prédio já serviu como embaixada da França e do Canadá e agora atinge o ápice de sua existência ao sediar a embaixada do Rio Grande do Sul. Yeda Crusius abrirá oficialmente a embaixada com uma solenidade oficial regada a vinhos da Serra e doces de Pelotas.

A governadora providenciou uma placa especial para a ocasião, onde aparece, orgulhoso, o letreiro em bronze: Embaixada do Rio Grande em Brasília. O novo embaixador em solo brasileiro, Marcelo Cavalcante, esclarece sua missão: representar os interesses do Estado junto ao governo federal e até no contato com outros países. Agora vai...

A jornalista Ana Amélia Lemos comentou, preocupada, na manhã desta terça-feira, na rádio Gaúcha: espero que isso (a embaixada) não contribua para alimentar as piadas sobre o nosso bairrismo. Imagina, Ana Amélia, quem é que iria pensar uma barbaridade dessas..


Escrito por Marco Weissheimer às 08h42 no blog http://rsurgente.wordpress.com/



 
Dona Yeda está baratinada



Sou informado que a entrevista (desastrada) da governadora Yeda Crusius para o jornal ZH de domingo faz parte de uma repaginação geral que querem dar em Sua Excelência. Nenhuma novidade. Já se podia prever. Querem torná-la mais palatável aos olhos do grande público. Não se diz que o tolo aprende a sua custa? 

Dona Yeda certamente deve ter consciência das próprias trapalhadas: da pantalha como indumentária regional, da necessidade do assoreamento da barra de Rio Grande, de Rio Pardo situar-se na região Serrana, dos tropeços diários na sintaxe, do curioso apreço por filmes de vampiro, da falta de nexo no discurso mais comezinho, da incultura em geral e da insensibilidade em particular, etc. Agora, querem torná-la uma pessoa sensível em sete lições, e a muque. 

Só a deixam mais baratinada, como estava na entrevista dominical. O uso exagerado do pronome possessivo “meu”, logo informa que não se trata de uma pessoa razoável. “Meu palácio”, “meus instrumentos voadores”, “defendendo o ninho e sem avião”...A qual ninho se refere Sua Excelência?



Ela quer usar metáforas, mas tem a mão pesada, então larga um cacófato como “instrumentos voadores”. Quer cultivar um certo estilo lingüístico, mas tudo lhe sai rombudo, estridente e fora do lugar. Falta-lhe o background cultural devido. Como diz Valéry, em Sua Excelência o mais profundo é a pele. A história da cadelinha lhasa cumpria a finalidade de se mostrar menos sisuda, menos oficial e mais caseira, alguém que desce do rito e é capaz de curtir pequenas frivolidades plebéias, que estima os animais e tem por eles o afeto que qualquer cidadã teria. Nada disso ela fez. Foi logo metendo o pé na jaca, dizendo que quer ficar cabeluda como a cadelinha, “que chega a enxergar mal”. 



Era para pintar um colibri e só conseguiu esboçar um urubu. Sábado passado (foto), ensaiou uns passos de dança com o seu secretário César Busatto. Mostra-se tão tensa e sisuda que parece um gato a cabresto, provando mesmo que ovelha não é pra mato.


Será que o motivo é a CPI do Detran e a proximidade das revelações da Operação Rodin pela Polícia Federal?


terça-feira, 4 de março de 2008

11.

Era uma vez

Era uma vez
um lugar selvagem,
habitado por seres primitivos
que nada sabiam,
além de caçar e pescar,
amar e serem deliciosamente
felizes...





Aí seres superiores
em naves balançantes
de grandes panos brancos,
chegaram e trouxeram
a doença, o trabalho e a morte.
Trouxeram as armas, 
as roupas e os espelhos,
e sua religião.

Jogaram latas e garrafas
por todos os cantos,
criaram o plástico que
nunca se entrega à terra.
Trouxeram fumaça, herbicidas,
inseticidas, detergentes,
desinfetantes, comida artificial,
papel, confete, serpentina,
preservativos, absorventes,
supositórios, carne de soja, 

leite em pó...
e sua deusa adorada,
a poluição, senhora sagrada da
miséria e da destruição.

E vieram idéias, costumes diferentes,
castigos, dores e tristeza.
E cresceram casas, cercas,

 muros, terreiros e janelas,
crianças crescendo presas,
flores morrendo em vasos,
pássaros engaiolados,
matemática moderna, física,
química, geografia,
pai-nossos e aves-maria,
proclamações, constituições,
reis, imperadores, presidentes,
deputados, senadores, generais,
constituições e uma corja
de ladrões...

E brotaram edifícios, carros,
barulho e cidades, motéis e lancherias.
E o consumismo, filho do capitalismo,
casou com a poluição,
filha do desenvolvimento
e da tal exploração,
e a filharada foi nascendo
em linha de produção...

Nasceu a constituição outorgada,
o colégio eleitoral,
a infidelidade partidária,
o parque nacional de
indústrias importadas,
a legislação sindical,
o conflito mundial,
o golpe militar,
e a ideologia de segurança nacional.


A poluição envenenada
com o seu próprio veneno
e o consumismo cansado 
e quase acabado
vão dando os “tiros” finais
e os frutos mais recentes
desta união infernal
ninguém suporta mais.

São generais
com formação americana,
eleições marcadas
sem valer uma banana
imprensa censurada,
informações deformadas,
governadores nomeados,
prefeitos indicados,
medidas de emergência,
salvaguardas nacionais,
governos de decreto,
nasceu até Delfim Neto
dessa bandalheira total...


Gilnei Andrade -
janeiro de 1984

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Maiakovski


O AMOR

Talvez quem sabe
um dia
por uma alameda do zoológico
ela também chegará.
Ela, que também amava os animais
entrará sorridente
assim como está
na foto sobre a mesa


Ela é tão bonita...
Ela é tão bonita
que, na certa, eles a ressuscitarão.
O século trinta
vencerá o coração destroçado já
pelas mesquinharias.
Agora vamos alcançar
tudo o que não podemos amar na vida
com o estrelar das noites inumeráveis.

Ressuscita-me,
ainda que mais não seja,
porque sou poeta
e ansiava o futuro.
Ressuscita-me,
lutando contra as misérias do quotidiano.

Ressuscita-me, por isso.

Ressuscita-me,
quero acabar de viver o que me cabe,
minha vida,
para que não mais existam amores servis.
Ressuscita-me,
para que ninguém mais tenha
que sacrificar-se por uma casa, um buraco.
Ressuscita-me, para que a partir de hoje
a família se transforme
e o pai seja pelo menos o Universo
e a mãe seja no mínimo a Terra.

(Poema de Maiakovski, traduzido por Ney Costa Santos.)

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Pré-História do Rio Grande do Sul


O MUNDO DA CAÇA, DA PESCA E DA COLETA


Os primeiros dez milênios

Pedro Ignácio Schmitz

O Rio Grande do Sul foi povoado muito antes do que a maior parte das pessoas imagina. O ambiente seco e frio da última glaciação, com ventos gelados varrendo paisagens de pouca vegetação, foi o cenário dos primeiros humanos que, uns 10.000 anos a.C. acamparam à beira do rio Uruguai e nos abrigos rochosos do vale do Caí.

Este povoamento não é um fato isolado. A América do Sul inteira recebe, neste tempo, o seu povoamento definitivo. São populações que, saindo da Ásia, atravessaram o estreito de Behring, peregrinaram pela América do Norte e Central e, depois de muitas gerações, chegaram aqui. Se antes desse momento temos humanos em alguns pontos do subcontinente, como no Nordeste do Brasil, ou no Centro-Sul do Chile, as pesquisas deverão confirmar.

Mais de 600 gerações humanas sucederam-se de então para cá, no Estado. Isto é bastante frente às 13 gerações contadas desde a ocupação portuguesa do território, mas é pouco em comparação das 90.000 gerações humanas do Velho Mundo.

PRÉ-HISTÓRIA do Rio Grande do Sul - ARQUEOLOGIA DO RIO GRANDE DO SUL, BRASIL - Instituto Anchietano de Pesquisas – UNISINOS São Leopoldo, RS, Brasil
Editor responsável: Pedro Ignácio Schmitz /Diagramação e Arte Final: Fúlvio Vinícius Arnt

Disponível em: http://www.anchietano.unisinos.br/publicacoes/documentos/documentos05.pdf

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

10. Fazenda do Sobrado - São Lourenço do Sul

        

 Situada às margens da Lagoa dos Patos, e distante 1 km do centro da cidade a Fazenda do Sobrado tem importância histórica na fundação e no desenvolvimento de São Lourenço do Sul. Importância tal que a cidade tomou emprestado o antigo nome da fazenda.
A história da Estância do Sobrado inicia com o capitão Joaquim Gonçalves da Silva, o primeiro dono das terras onde hoje se situa a fazenda, que teria deixado de herança aos seus filhos Bento Gonçalves da Silva e Anna Joaquina Gonçalves da Silva (Donanna), porções de terra situadas à margem esquerda do Rio Camaquã (Estância do Cristal) e à sua margem direita, até o arroio hoje conhecido como São Lourenço (Estância do Sobrado) .

 


Natural do Rio Janeiro e morador de Rio Grande, José da Costa Santos casou-se com Anna Joaquina Gonçalves da Silva Santos (irmã de Bento Gonçalves) e tornou-se proprietário das terras entre Boqueirão e São Lourenço do Sul, as quais deu o nome de Estância de São Lourenço, santo do qual era devoto. Para servir de sede da estância, José da Costa Santos mandou construir um sobrado no fim do século XVIII. A Estância São Lourenço também ficou conhecida como Estância do Sobrado, pois este tipo de construção não era comum na época. 


 Conforme pesquisa do jornalista Pedro Caldas, a referência mais antiga à fazenda provém de um documento de 1805, localizado na vila de Rio Grande, que menciona o batizado de Ezequiel Soares da Silva, realizado na Fazenda do Sobrado. José da Costa Santos e Anna Joaquina (Donanna) tiveram três filhas: Anna da Silva Santos que casou com João Francisco Vieira Braga; Tereza da Silva Santos que casou com Inácio José de Oliveira Guimarães e Perpétua da Silva Santos que casou com Antônio Francisco do Santos Abreu.

O sobrado passa a ser conhecido como Solar dos Abreu, em função do casamento, em 1831, da filha mais nova de José da Costa Santos e Donanna, Perpétua da Silva Santos com Antônio Francisco dos Santos Abreu que deu continuidade à administração da Estância São Lourenço, já partilhada, mas ainda não dividida, por ocasião da morte de José da Costa Santos, em 1826. A filha de Perpétua e Antonio Francisco casou-se, mais tarde, com seu primo, José Antônio de Oliveira Guimarães, filho de Inácio José de Oliveira Guimarães e de sua falecida esposa Tereza da Silva Santos.




Historicamente também tem fundamental importância e participação a figura de Inácio José de Oliveira Guimarães, outro genro de Donana, casado com Tereza da Silva Santos. Abastado fazendeiro, chefe de polícia no Boqueirão e líder político que foi, até, deputado da República Rio-Grandense. Durante a Revolução Farroupilha a vila de Boqueirão era o centro jurisdicional eclesiástico da área que se estendia de Corrientes até as cercanias de Porto Alegre. Em razão disso, Boqueirão era também um centro político e populacional importante. O chefe político de Boqueirão era Inácio José de Oliveira Guimarães que durante toda a revolução, deu apoio logístico aos farrapos, através dos escravos, fornecendo cavalos e gado, construção e reparo de barcaças e lanchões.


 
Placa existente na Igreja da Vila Boqueirão 
onde Donanna foi sepultada.


 
Igreja do Boqueirão


A Fazenda do Sobrado foi utilizada como quartel general por Bento Gonçalves e seus comandados, além de ter prestado auxílio e abrigo a Giuseppe Garibaldi, que ali se resguardava da Armada Imperial. Segundo Egon Ziebell de Abreu, era na Fazenda que Bento Gonçalves se reunia com Inácio José de Oliveira Guimarães para acertar contatos políticos e para deliberar sobre os rumos da guerra na região do litoral.



O historiador afirma, ainda, que a estância era conhecida dos navegantes da lagoa, pois o sobrado servia de farol devido a um lampião que Donanna conservava todas as noites em uma das janelas, bem no alto. De Pelotas até Porto Alegre não existia nenhuma construção daquele porte na margem da Lagoa dos Patos.Mas não foi só durante a Revolução Farroupilha que a Fazenda São Lourenço ou Fazenda do Sobrado teve fundamental importância.




Quando eclodiu a Guerra do Paraguai, atendendo a convocação do Império, Joaquim Francisco dos Santos Abreu (o almirante Abreu), filho de Antônio Francisco dos Santos Abreu, engajou-se às tropas imperiais. Egon Ziebell de Abreu afirma que a Fazenda do Sobrado ter-se-ia constituído como “um ponto de destaque na região de tal ordem, que chegou a hospedar a Princesa Isabel e seus acompanhantes”, tendo sido “diversas vezes requisitada, não só no período da Revolução Farroupilha, como também na Guerra do Paraguai”. Atualmente a Fazenda do Sobrado possui área de 300 hectares distribuídos em plantações de arroz, milho e soja, além da criação de bovinos e eqüinos. Pertence à Ivani Serpa, viúva de Solimar Serpa, que a adquiriu do médico pelotense, Dr. Ariano Carvalho, herdeiro dos primitivos donos. Restaurada e em bom estado de conservação, as linhas harmoniosas da sede da fazenda contrastam com as seteiras (vide foto abaixo), que guardam a memória de épocas em que se faziam necessárias tais medidas de defesa.



 
 No detalhe, entre as janelas, a seteira que permitia a defesa do Sobrado e disparos de advertência afastando barcos e visitantes indesejados.



 
Detalhes dos móveis 


O antigo sobrado vem recebendo inúmeros turistas, atraídos por seu valor histórico-cultural. Proporciona a eles seu conhecimento da história do Rio Grande do Sul, do município de São Lourenço e de seu envolvimento na Revolução Farroupilha, além do convívio com as lides campeiras. Sem falar das lendas que rondam o velho sobrado. Conforme relatos existentes nas noites de vendaval são ouvidas vozes vindas do antigo casarão.
(Informações fornecidas por Ivani Serpa, viúva de Solimar Serpa, atual proprietária da Fazenda do Sobrado. Artigo original disponível no site http://www.jornalminuano.com.br/noticia.php?id=13594&data=&volta)


 
 Cristaleira conhecida como 'pula-neguinho'



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

ABREU, Egon Ziebell de. Aconteceu no Sobrado... contos da história de um povo da Lagoa dos Patos. Esteio: Pabreu Design& Comunicação, Ed. do autor, 2001, 36p.

COARACY, Vivaldo. A colônia de São Lourenço e seu fundador Jacob Rheingantz. São Paulo: Saraiva, 1957.

FUCKS, Patrícia Marasca. Artigo ‘ Os usos do patrimônio arquitetônico na atualidade:de produto cultural a atrativo turístico’ publicado na Revista de Pesquisa e Pos Graduação da U.R.I – Universidade Regional Integrada. Santo Ângelo-RS, 2003 Disponível no site http://www.uri.br/publicaonline/revistas/artigos/72.pdf

Secretaria da Cultura assina termo de uso do Parque Histórico Bento Gonçalves


 Bento Gonçalves


A secretária estadual da Cultura, Mônica Leal, assinou hoje (7 de fevereiro) em seu gabinete, o termo de permissão de uso do Parque Histórico Bento Gonçalves pela Associação de Amigos da instituição, com a presença de seu presidente, o vereador Diogo Trescastro e do sócio emérito Carlos da Rosa Sobrinho, que preside o Sindicato Rural e assume voluntariamente a direção cultural do Parque.

O documento permite que a Associação dos Amigos do Parque Histórico Bento Gonçalves gerencie as atividades de cunho histórico-cultural e as revertam para sua manutenção.



Também possibilitará a elaboração de um plano de manejo, onde ações distintas serão zoneadas, com prioridade para atividades culturais e de educação ambiental, tanto para os visitantes como para os moradores da região.

Nos próximos dias será realizado um levantamento da estrutura do parque, com 280 hectares, localizado no município de Cristal, e também da réplica da casa, onde o General Bento Gonçalves viveu e morreu, junto com sua família, que receberá escoramento devido a problemas no telhado.“O maior problema do Parque é a limpeza. Vamos explorar o campo depois que tiver tudo arrumado”, afirma Carlos da Rosa Sobrinho.



Com 280 hectares, o local pretende ser um museu vivo em homenagem a Bento Gonçalves e à Revolução Farroupilha.
Dentro do prédio histórico se encontra um conjunto de animais taxidermizados (empalhados), doados pelo senhor Carlos da Rosa Sobrinho, que representam a fauna da região. São 800 espécies, incluindo cobras e aves, que estão descontextualizadas dentro do prédio histórico.


A idéia é construir um museu que contextualize as espécies, assim como fazer o inventário do que existe no acervo.O visitante também pode conferir um conjunto de pedras com placas das capitais farroupilhas.



O local tem visitação mensal de 1500 pessoas, tendo alcançado o número de 150 visitantes no último domingo do feriado de Carnaval.


Site: http://www.cultura.rs.gov.br/ 08/02/2008 10:07

Parque Histórico General Bento Gonçalves



O Parque Histórico General Bento Gonçalves foi criado através do Decreto Nº 21.624, em 28 de janeiro de 1972. Está localizado na antiga Sesmaria do Cristal, originada por uma doação de terras feita por D. João VI ao alferes Joaquim Gonçalves da Silva, pai do líder farroupilha Bento Gonçalves.
Com área de aproximadamente 280 hectares, o parque possui mata nativa, campos e banhados, com espaço destinado a acampamento. No seu interior foi construído, em 1976, junto às ruínas da casa original, uma réplica daquela que pertenceu a Bento Gonçalves. Nela existe um museu, dividido em dois tipos de acervos: um com réplicas da indumentária farroupilha, e outro composto por animais taxidermizados - empalhados -, doados à Secretaria de Estado da Cultura por Carlos da Rosa Sobrinho.
Atendimento ao público: O endereço do parque é BR 116 - Sul, KM 423, Cristal/RS, CEP.: 99.195-000. Telefone (51) 9989.7021. O funcionamento é de terças a domingos, das 9h às 17h. Diretor:Eutalio Germano da Silva. Site:
http://www.cultura.rs.gov.br/

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Museu Júlio de Castilhos - Porto Alegre - RS

Julio de Castilhos 


Fachada do Museu


Canhão no pátio do Museu 

Landau que pertenceu a Carlos Barbosa - Presidente da Província


Monumento a Julio de Castilhos na Praça da Matriz - P. Alegre

Museu Júlio de Castilhos




O casarão do Museu Julio de Castilhos, na Rua Duque de Caxias, nº 1231, foi construído em 1887 para servir de moradia ao Coronel Augusto Santos Roxo, herói na expedição de reconquista do território brasileiro ocupado pelas forças paraguaias.
No entanto, adquirido pela Comissão Executiva do Partido Republicano Rio-grandense (PRR), o prédio acabou sendo doado a Julio de Castilhos que ali viveu com sua esposa, Honorina, e seus seis filhos.
Em 1909, foi realizada a primeira reforma na casa para adaptá-la às atividades de exposição. Depois, vieram outras duas: em 1925, com a construção de duas salas no pavilhão superior, e durante o período de 1968 a 1973, quando o prédio recebeu reformas no telhado, no forro, no assoalho, na rede hidráulica e na elétrica. O Museu voltou a ser aberto ao público durante as festividades dos seus 70 anos.
Em 1975, o prédio ao lado da sede do Museu, de número 1.205, construído entre os anos de 1917 e 1918, foi adquirido pelo governo do Estado para possibilitar a ampliação da instituição. As obras de restauração do anexo foram concluídas em 1996, inaugurando novos espaços de exposição. Neste mesmo ano, o casarão do Julio de Castilhos foi desativado, em vista da necessidade de reformas no telhado e da colocação de um novo forro, ações que foram realizadas, parcialmente, em 1997.

Fama de mal assombrado -

As duas mortes trágicas ocorridas nas dependências do Museu Julio de Castilhos - a de Julio de Castilhos, em 1903, vítima de uma cirurgia, realizada em seu próprio quarto, para a retirada de um tumor; e a de sua esposa, Honorina, em 1905, que, inconformada com a morte do marido, se suicidou num dos aposentos da casa - têm suscitado a fama de a instituição ser mal assombrada.
Desde a década de 70, quando se intensificaram as visitas ao Museu, até a atualidade, depoimentos de populares e funcionários atestam a visão de fantasmas circulando pelo ambiente. Um dos casos mais conhecidos refere-se a um vigilante noturno que, após fazer a guarda no Museu, pediu demissão, apavorado com a companhia indesejável que tivera na noite anterior.



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

09. MeMóRiA SiNDiCaL (II)

Conclat - A fundação da CUT em versos 

Aos amigos, companheiros,
trabalhadores do Brasil inteiro
agora quero falar
de algo muito importante
que em S. Bernardo foi se dar
me escutem nesse instante
poi sei que vão gostar.

Nesta cidade bandeirante
pelo mundo reconhecida
foi dado um passo adiante
que vai mudar nossa vida,
no ano de 83
foi no seu oitavo mês
de26 a 28 foram os dias
prá nós de grande alegria.

Mais de cinco mil companheiros
vindos do Brasil inteiro
se juntaram prá conversar
do I Congresso da Classe Trabalhadora
nós fomos participar,
já numa quinta-feira
nós começamos a chegar
do nordeste, do sul, do norte
gente de todo lugar.

Companheiros que uma semana
já estavam a viajar
mais de um dia de barco
prum ônibus pegar,
tres dia e tres noite
de estrada prá viajar
e na emoção da chegada
tinham força prá cantar.

De algo acontecido
dias antes do Congresso
todo mundo tinha sabido,
alguns sindicatos de safados
de participar tinham desistido,
o Congresso foi um sucesso
mesmo eles não tendo ido
nós já 'tava' mesmo cansado
de tanto ser manobrado
de tanto ser traído.

Uma coisa importante
não pode ser esquecida,
quase metade dos participantes
era companheiro rural
que com sua voz decidida
deram ao nosso Congresso
uma importancia especial.

Falaram do dia-a-dia
da sua vida sofrida,
falaram das covardias
contra eles cometida,
falaram da pobreza
e da falta de comida,
falaram das injustiças
da riqueza protegida,
falaram da sua luta,
falaram da Margarida.

Margarida companheira,
paraibana, nordestina.
Margarida assassinada
com um tiro de carabina,
quando teu povo se junta
todos gritam o teu nome
“é melhor morrer na luta
do que morrer pela fome”,
Margarida tu tá presente
na esperança dessa gente
no chão que tu caiu morta
a mando de um patrão,
muitas, muitas outras margaridas
por certo renascerão.

Muitas coisas importantes
por nós foram decididas
não se pode aceitar
a exploração toda vida,
sem terra não pode ficar
quem a terra tá plantando,
não pode morrer na pobreza
quem constrói toda riqueza
e o patrão tá sustentando.

E nós todos reunidos
tomamos uma decisão
damos prazo pro governo prá ele dar solução,
ou termina com o decreto
que rebaixam os salários
e devolve os sindicatos
cassados pros operários,
acaba os acordos
com o Fundo Internacional
assume a Reforma Agrária
acabando com a injustiça social
ou nossa resposta será:
- Nós vamos a Greve Geral.

E prá não desapontar
o trabalhador brasileiro
que há muito tempo pedia
todos unidos num sindicato
sem importar a categoria,
e porque cada delegado
sem criar a CUT
de S. Bernardo não saía
a CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES
nascia.

A partir desse dia
um novo momento iniciou
pra todos companheiros
e para o movimento sindical
viva a Central Única dos
Trabalhadores,
organizando a Greve Geral.


Autor: Gilnei Andrade
São Bernardo do Campo, agosto de 1983

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

O pescador de arenques

O pescador de arenques é um romance histórico que conta a saga dos imigrantes pomeranos desde a sua antiga terra até chegar ao Brasil, em especial a São Lourenço do Sul. O município era, na época (metade do século 19), a mais isolada e austral das colônias alemãs do País.Por meio do protagonista Peter Kampke, um intrépido pescador do mar Báltico, o leitor é levado a testemunhar a seqüência de episódios responsáveis pela formação de um povo na história brasileira.




A obra trata-se de um romance histórico inédito que narra a épica passagem dos pomeranos pela Europa, Estados Unidos da América e Brasil. O pescador de arenques, com 242 páginas, é uma obra escrita pelo historiador Jairo Scholl Costa e foi editada pela Editora da Universidade Católica de Pelotas (Educat).



O livro é o primeiro épico no Brasil a contemplar a história do povo alemão da Metade Sul do Estado. Devido ao recente lançamento, o livro ainda não está disponível na Capital, Pelotas e outros centros. Por enquanto, a aquisição só pode ser feita pelo contato direto com o autor (por meio do e-mail jaustral19 @hotmail.com) ou nas livrarias Laguna e Livros & Companhia, ambas de São Lourenço.

Casa de Jacob Rheingantz será recuperada e transformada em museu


 São Lourenço do Sul - A Prefeitura de São Lourenço do Sul, RS, vai recuperar a Casa do Colono, prédio que pertenceu ao prussiano Jacob Rheingantz e serviu de moradia aos primeiros imigrantes alemães-pomeranos a se instalarem no Município, há 150 anos. O espaço, depois de reciclado, será transformado no Museu da Colonização Alemã-Pomerana, cujo Sesquicentenário está sendo comemorado este ano.

Nesta sexta-feira (18), às 17h, durante o ato de lançamento oficial do Sesquicentenário da Colonização Alemã-Pomerana, na localidade de Coxilha do Barão, acontecerá a assinatura de contrato para o desenvolvimento do Projeto. Na mesma oportunidade, o prefeito José Nunes irá sancionar o Projeto de Lei 105/07, denominando o Terminal Rodoviário como José Antônio de Oliveira Guimarães. Em 1850, Guimarães doou parte da Fazenda São Lourenço, situada na margem esquerda do rio, para uma nova povoação e, em 1858, firmou contrato comercial com o prussiano Jacob Rheingantz, iniciando-se, então, a colonização alemã-pomerana na região.

Localizada em Picada Moinhos, na Coxilha do Barão, interior de São Lourenço do Sul, a casa que pertenceu a Jacob Rheingantz preserva as características arquitetônicas da segunda metade do século 19. O projeto técnico de reciclagem e modernização será desenvolvido pela Fundação Simon Bolivar e encaminhado ao Governo Federal, para a obtenção de benefícios da Lei Rouanet junto à iniciativa privada.



Além de reformar e recuperar a edificação, mantendo as características originais, a criação do Museu da Colonização preservará a memória histórica dos imigrantes, cultura, costumes e trajetória ao longo dos séculos. Uma campanha junto à comunidade lourenciana recuperará objetos, utensílios e vestimentas que pertenceram aos colonizadores.

“O museu vai revitalizar uma área de valor histórico para São Lourenço do Sul e será um novo atrativo do Caminho Pomerano, o que representa a diversificação do turismo rural no Município”, explica o secretário do Turismo, Indústria e Comércio e presidente da Agência de Desenvolvimento do Turismo na Costa Doce, Zelmute Oliveira.
A proposta da comissão organizadora do Sesquicentenário é que o museu seja gerenciado com participação da sociedade civil através de uma Fundação, a ser criada. A Prefeitura realizará seleção, através de concurso público, para a contratação de museólogo.

Valor Histórico - Construído por volta de 1860, a casa foi erguida e serviu de moradia a Jacob Rheigantz, fundador da Colônia de São Lourenço em 18 de janeiro de 1858. Embrião do Município e centro inicial da presença pomerana e alemã na região, a colônia permaneceu privada até ser emancipada e transformada em Município. Em 1877, ano da morte de Rheigantz, a colônia já tinha um total de 52 mil hectares e mais de 6 mil moradores entre imigrantes e descendentes.
Projeto - A equipe técnica responsável pela elaboração do projeto é composta por três arquitetos, um engenheiro, dois estagiários e uma consultora de restauro. O trabalho engloba pesquisa histórica com levantamento de documentação sobre o edifício e a comunidade local, levantamento fotográfico e arquitetônico, mapeamento de danos, diagnóstico do prédio, projeto de recuperação da edificação e do futuro museu. A estimativa é de que esteja concluído em 45 dias. (Agência de Notícias BrasilAlemanha/Neues)




FONTE:

Site http://www.vivasaoleo.com.br/ 17/01/2008 16h50min.