João Jorge e Jacobina Maurer

João Jorge e Jacobina Maurer

I m A g E m

I m A g E m
O Velho do Espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

52. A ViDa é BeLa!!!

A vida não é fácil para nenhum de nós. Somos filhos e filhas do proletariado e não nascemos no berço da riqueza e da opulência. Nossa herança é trabalho e nosso futuro consciência e luta. O trabalho de todos os dias de nossas vidas para levar, a noite, o pão para nossas casas. E a luta para que todos trabalhem, tenham pão, tenham casas e adquiram consciência. O trabalho e a consciência dará sentido a nossa luta de fazer com que todos entendam que as diferenças nascem da e com a exploração são, portanto, filhas da exploração.                                                                
As condições diferenciadas de existência que permitem a uma minoria que, como os mosquitos e morcegos hidrófobos sugadores do sangue (suor e trabalho) alheio, desobriguem-se do trabalho e tornem-se uma classe diferenciada de pessoas.                      E ainda assim digo que o otimismo deve ser cultivado e a felicidade deve brotar de nós e iluminar tudo ao nosso redor. Tem gente que desaprendeu, que nunca soube sorrir ou que não se permite a plenitude que a consciência de classe possibilita.Tem quem torça contra tudo e todos. Tem trabalhador com cabeça  de explorador, tem mulheres  machistas, negros racistas,  homossexuais homofóbicos, religiosos que cultuam a morte pelas armas e - cada vez mais - tem patriotas imperialistas e neoliberais. Sacos de bosta gerados na fé doentia da pseudoastrologia de quinta categoria e de um militarismo decrépito sócio minoritário da indústria da covardia bélica.                    
Por isso não devemos nos abalar e nem desanimar no enfrentamento de quem é contra o que não sabe, que não conhece e não quer conhecer mais nada porque se acha ungido pela luz dessas religiões que viraram tribunais, dessas igrejas que viraram agências bancárias e desses messias fraudulentos, flatulentos  e boquirrotos que consideram-se mitos.                                                       
São muitos os pessimistas, tristes semeadores de rancor que exalam medo e intolerância e só colhem dor. Criaturas infelizes e cabisbaixas que não levantam a cabeça para apreciar a beleza da natureza, do céu, do sol e das nuvens. Que sem enxergar as árvores  reclamam da sujeira das folhas e flores caídas no chão. Que vivem rezando para um deus morto e não enxergam a presença divina viva nas pequenas criaturas e nos acontecimentos diários. Eles são muitos mas (sem consciência) não podem voar.                                                    
"A vida é bela" como disse o velho Leon cuja vida não foi uma novela. Vamos seguir em frente com humor,  sinceridade, trabalho, dedicação, doses cavalares de ironia (e alguns sacos de carvão) porque sempre terá um boi corneta, mugindo e babando, correndo em nossa direção.      
1º de janeiro de 2019

sábado, 15 de dezembro de 2018

51 OS MESSIAS bem VIVOS ...

 ... E o charlatanismo que nunca morreu


Quem conhece um pouco da minha história de vida sabe que pesquiso, registro e tenho um olhar, um carinho especial pelos chamados movimentos messiânicos.  Fazem muitos anos, umas quatro décadas, que esse tema atravessou meus caminhos e cruzou minha vida. Bem antes do curso de história que conclui, já, temporão. 
Acho que esse assunto, essa área de interesse - em especial sobre os Mucker e Jacobina Mentz Maurer - me levaram para a Licenciatura de História. Claro que minha militância política e social (o mundo do trabalho e a luta sindical dos trabalhadores) também influenciou muito nessa decisão. 


Vou escrever esse texto/depoimento, aos poucos, ao longo dos próximos dias. Mas preciso registrar que o Programa do Bial, nessa madrugada passada, onde uma dezena de mulheres relatam abusos sexuais e um padrão psicopático do afamado médium João de Deus, de Abadiânia, me faz crer que ele esteja cometendo esses crimes, a décadas, contra mulheres fragilizadas e devotas de sua Graça. E que pode ter se valido da força 'dessa superioridade mental' centenas, milhares de vezes contra mulheres que procuravam a cura de uma entidade espiritual. Buscaram a cura pra sua saúde e encontraram uma criatura humana muito mais doente que elas. O programa me impactou e incomodou muito e ainda nesse estado de transe resolvi escrever. 
Como era de se esperar a partir das denúncias iniciais o numero de mulheres denunciando a mesma situação não parou de crescer. Não se conta mais as dezenas e sim as centenas as vítimas do médium João de Deus. O desdobramento jurídico/policial deve encontrar e ouvir em todas as regiões do Brasil e mesmo no exterior mulheres repetindo a mesma história cujo inicio retrocede ao final dos anos 70.
Vou arriscar até um contraponto, um paralelo com outras situações similares na história. Uma defesa das práticas alternativas de cura, religiosas ou não, o benefício da dúvida pela entidade e não pelo cavalo cuja inocência considero pouco provável. 


A possibilidade de uma denuncia dessas não se confirmar é gravíssima porque ela acaba com o trabalho e com o médium, independente de culpa e comprovação. (Lembremos de casos recentes de denúncias falsas como a Escola de Base em SP ou do delegado evangélico Moacir Fermino, de Novo Hamburgo ou casos históricos como o Conselheiro de Canudos, Jacobina no Ferrabraz, João Maria no Contestado e outras incontáveis episódios de mortes e perseguições injustas). 
Compartilho com vocês essa necessidade de escrever sobre esse assunto. Fiquemos em paz!!!



segunda-feira, 26 de novembro de 2018

50 FeRRaBrAz


Sol Nascente - Foto Fabio Haag

Cavaleiro sarraceno ou 
gigantesco monstro medieval 
na canção gestada se eternizou, 
atravessou os séculos e os mares
e veio para o Novo Mundo 
com os imigrantes germanos, 
soldados, colonos, pietistas ortodoxos...
Ferrabraz no horizonte 
abrigo de todo bem,
refúgio de todo mal. 
Sobre o monstro de pedra
é só correr e saltar, 
sol queimando a retina, 
medo de voar 
para os braços de Jacobina...

domingo, 25 de novembro de 2018

Aí se sesse

Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém se acontecesse de São Pedro 
não abrisse a porta do céu 
e fosse te dizer qualquer tolice
E se eu me arriminasse 
E tu cum eu insistisse 
pra que eu me arresolvesse 
E a minha faca puxasse 
E o bucho do céu furasse 
Tarvés que nois dois ficasse
Tarvés que nois dois caisse
E o céu furado arriasse 
e as virgi toda fugisse!
Poeta Zé da Luz


sexta-feira, 2 de novembro de 2018

Marechal Deodoro - Alagoas







Marechal Deodoro é um município brasileiro do estado de Alagoas. Sua população estimada em 2016 era de 51.715  habitantes de acordo com o IBGE. O município faz parte da Região Metropolitana de Maceió. 




Essa histórica cidade, localizada às margens da Lagoa Manguaba, foi a primeira capital de Alagoas. Foi fundada em 05 de agosto de 1591 com a denominação de Sesmaria de Santa Madalena do Sumaúma, foi doado a Diogo de Melo Castro com os seguintes limites: Cinco léguas do litoral da Pajuçara ao porto do Francês; Sete léguas de frente a fundos para o sertão e mais quatro léguas da boca do rio Paraíba. 


Alguns autores indicam a fundação desse povoado no ano de 1611, pelo donatário da Capitania de Pernambuco Duarte de Albuquerque Coelho. Em 1633, o povoado foi atacado e incendiado pelos holandeses, a Igreja Matriz foi destruída. Em 1635, a vila serviu de refúgio para muitos portugueses vindos de Pernambuco, por ordem do general Mathias de Albuquerque. Nessa época, o custódio Frei Cosme de São Damião fundou um hospício e um oratório franciscano na Alagoa do Sul. Muitos dos refugiados foram transferidos depois para a Bahia.


Em 12 de abril de 1636 passou a ser denominada de Vila Santa Madalena da Alagoa do Sul.  O mapa da obra de Caspar Barlaeus, publicado em 1647, registra no local, próximo ao rio Pau Brasil, uma localidade ou capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. A Vila foi escolhida como sede da Comarca de Alagoas, criada em 1711, subordinada à Capitania de Pernambuco. Na segunda metade do século XVIII a Igreja Matriz era dedicada à N.S. do Rosário. Existia o Hospício dos RR. PP. do Carmo Observante, a capela de N.S. do Ó e o Convento de São Francisco.




Em 1817, a Vila de Alagoas tornou-se a capital da recém criada Capitania de Alagoas. Em oito de março de 1823, a Vila foi elevada à condição de Cidade de Alagoas, que se tornou capital da Província de Alagoas. Em 5 de agosto de 1827, nasceu nessa Cidade de Alagoas, Manuel  Deodoro da Fonseca, que veio a se tornar o primeiro presidente da República. 


Em 1939, a capital foi transferida para Maceió. O município foi criado em 09 de novembro de 1939, com a denominação de Marechal Deodoro, em homenagem ao Marechal Deodoro da Fonseca, alagoano que foi o primeiro presidente da república do Brasil. 


Em 16 de setembro de 2006, foi considerada pelo Ministério da Cultura como Patrimônio Histórico Nacional, em virtude do seu passado e de ter sido berço do Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República Brasileira.

Praia do Francês -
É uma das mais conhecidas e badaladas praias do Município de Marechal Deodoro. Na enseada é possível mergulhar, passear de barco, banana-boat e até ultra-leve. 


Existem diversas palhoças com petiscos e frutos do mar. Na faixa de praia aberta quebram boas ondas para o surf, e e possível ir caminhando até a Barra de São Miguel.


Poucos relatos históricos existem sobre a Praia do Francês. Região habitada por índios Caetés na época da colonização, os habitantes naturais da Pindorama, a Terra das Palmeiras. Pela sua estratégica enseada natural, a Praia serviu de porto para navios piratas, inicialmente franceses, que faziam exploração do Pau-Brasil abundante na vasta Mata Atlântica da época colonial. 


Daí a origem do nome, inicialmente chamada de Porto dos Franceses, derivou para Praia dos Franceses até o atual Praia do Francês.

Centro Histórico - 
Marechal Deodoro é uma cidade que preserva muita história e cultura. 


Quem visita o seu Centro Histórico, a 30 quilômetros de Maceió, se depara com um verdadeiro museu a céu aberto, onde é possível se sentir no passado ao andar pelas ruelas repletas de detalhes peculiares e arquitetura colonial. 


O comércio ainda conserva o ar saudosista da época e as casas criam um colorido especial às ruas, abrigando restaurantes, bares e lojas. 


O visitante pode conhecer a antiga Cadeia Pública e a Casa da Câmara, construções que datam da época de 1850, além do Palácio Provincial, que chegou a abrigar a família imperial e todo o grupo que formava a antiga comitiva real. 


As belezas do Convento São Francisco e das igrejas se destacam entre as construções em estilo barroco e colonial. 

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

49 Quando

"Quando cessarem
meus dias de sobre a terra andar 
vou, sem pressa, vagar 
pelas noites que, até, pra pele faz bem. 
E a lua sempre foi 
parceira dos poetas, dos
boêmios, dos escritores,
dos cuscos vagamundos
e dos historiadores...
e sempre, a todos, quis bem.
E eu um deles fui,
outro quis ser e um terceiro, 

ao certo, serei..."

domingo, 22 de julho de 2018

Sonhar também muda o mundo

        Embora difícil de implementar, a proposta anarquista contou com diversos                                         pensadores e influenciou vários países                                                                                                                               Edilene Toledo   –   1/8/2013

Quem já não sonhou com um mundo diferente, no qual fosse possível o máximo de liberdade com o máximo de solidariedade? Os anarquistas acreditavam, e acreditam ainda, que essa esperança não é uma utopia: ela pode se tornar realidade. Eles gostam de dizer que o ideal existe desde a Antiguidade, ou seja, desde que há luta pela liberdade. Mas a doutrina só se tornaria movimento organizado no século XIX, na Europa. Na pauta, a crítica à sociedade industrial, aos males do capitalismo e à sua indiferença diante do sofrimento humano.
A palavra anarquia, usada frequentemente para designar desordem e confusão, vem do grego e significa “sem governo”, isto é, o estado de um povo sem autoridade constituída. Do mesmo horizonte de significado nasce o anarquismo, doutrina política que prega que o Estado é nocivo e desnecessário e que existem alternativas viáveis de organização voluntária. Para a verdadeira libertação da sociedade seria necessário, ainda, destruir o capitalismo e as igrejas. Os anarquistas opunham-se à participação nas eleições e aos parlamentos, pois consideravam a democracia liberal uma farsa, negando qualquer forma de organização hierarquizada. A nova sociedade seria uma rede de relações voluntárias entre pessoas livres e iguais, em equilíbrio natural entre liberdade e ordem não imposta, mas garantida pela cooperação voluntária. Eliminados o Estado centralizado, o capitalismo e as instituições religiosas, afloraria a verdadeira natureza humana e as pessoas voltariam a assumir suas responsabilidades comunitárias. O futuro anarquista seria feito de um conjunto de pequenas comunidades descentralizadas, autogeridas e federadas, que a livre experimentação modificaria pouco a pouco.
 Proudhon e seus filhos (Gustave Coubert) 
O francês Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) foi o primeiro a organizar as ideias do anarquismo. Em seu texto O que é a propriedade? (1840), escreveu que a política era a ciência da liberdade, que o governo do homem sobre o homem, em qualquer forma, era opressão, e que a sociedade só atingiria a perfeição na união da ordem com a anarquia.  Ainda no século XIX, o anarquismo ganhou adeptos em todo o mundo, reconhecendo-se em um projeto internacional comum, embora em cada país os trabalhadores utilizassem a linguagem e a ação do anarquismo como resposta a seus problemas e preocupações específicos. 
O russo Mikhail Bakunin (1814-1876) defendia que a futura organização da sociedade deveria ser realizada de baixo para cima, pela livre associação. Bakunin e outros anarquistas rivalizaram com Karl Marx, sugerindo que o socialismo seria tão despótico quanto outras formas de Estado. Mais tarde, Emma Goldman (1869-1940), judia russa emigrada para os Estados Unidos, famosa por sua militância, fez duras críticas aos rumos dados pelos bolcheviques à Revolução Russa em função da centralização estatal e do autoritarismo, que teriam paralisado a iniciativa e o esforço individuais.Os anarquistas russos, em aberta oposição ao que consideravam uma ditadura distante dos ideais libertários, passaram a ser perseguidos e suas atividades foram proibidas já poucos meses após a Revolução de Outubro. Em 1920, grande parte dos membros do Exército Revolucionário Insurrecional, liderado pelo anarquista Nestor Makhno, foi fuzilada pela Cheka, a polícia responsável por reprimir atos considerados contrarrevolucionários. Em poucos anos, os anarquistas da Rússia foram quase todos mortos, aprisionados, banidos ou reduzidos ao silêncio.

Diversos outros pensadores influenciaram libertários de várias partes do mundo. A ideia da ajuda mútua como requisito central para a evolução ética da humanidade tornou-se referência através dos escritos do russo Piotr Kropotkin (1842-1921). Na resistência contra o golpe militar de Francisco Franco na Espanha da Guerra Civil, o operário Buenaventura Durruti (1896-1936) afirmava que os anarquistas traziam um novo mundo em seus corações. Victor Serge (1890-1947), nascido na Bélgica, de família russa e polonesa, escreveu em suas memórias que o anarquismo tomava os militantes inteiramente, transformava suas vidas, porque exigia uma coerência entre os atos e as palavras. Para muitos, tinha um caráter de conversão quase religiosa.

Os anarquistas incentivavam a luta dos trabalhadores contra a exploração capitalista através do apelo para diversas formas de ação, como greves, boicotes, comícios, passeatas, fundação de sindicatos, denunciando o que consideravam ações repressoras da burguesia e do Estado. Embora tenha conquistado corações e mentes em diferentes classes sociais, o anarquismo se difundiu, sobretudo entre os trabalhadores pobres urbanos, e foi um elemento importante em seu processo de auto-organização e agregação social, recreativa e cultural. A circulação das ideias anarquistas se dava por meio de campanhas, comícios, pela imprensa e em publicações, mas também com a organização do tempo livre em eventos como teatro, piqueniques e festas. Assim, os anarquistas transformavam, ou ao menos abalavam, uma mentalidade consolidada em vários países, segundo a qual trabalhadores pobres deviam ficar fora da política. Um dos livrinhos mais famosos de propaganda anarquista foi Entre camponesesdiálogo sobre a anarquia, do italiano Errico Malatesta (1853-1932), publicado em Florença, em 1884. Nele se lia a conversa entre dois camponeses, Giorgio, um jovem anarquista, e Beppe, um velho amigo de seu pai. Beppe tenta dissuadir Giorgio, argumentando que a política era coisa para os senhores, e que o trabalhador tinha que pensar em trabalhar e fazer o bem, assim viveria tranquilo e na graça de Deus. No fim, é o velho Beppe quem sai convertido ao anarquismo. Malatesta nasceu no sul da Itália, em uma família rica. Coerente com suas ideias, distribuiu as terras que herdou aos camponeses. Foi um dos anarquistas mais influentes em todo o mundo, inspirando inúmeros militantes e trabalhadores. Por isso foi duramente perseguido pelo regime fascista de Benito Mussolini, desde sua ascensão ao poder em 1922.
Errico Malatesta
Embora os anarquistas concordassem com os objetivos que queriam atingir, eles divergiram muito sobre os meios para alcançá-los. Na década de 1890 houve grandes atos de violência dos anarquistas no cenário mundial: foram mortos um rei da Itália, uma imperatriz da Áustria, um primeiro-ministro da Espanha, um presidente da França e um dos Estados Unidos.  Mas a maioria dos anarquistas recusou essas ações individuais e violentas. Alguns tentaram experimentar a organização libertária formando pequenas comunidades autogeridas que, em geral, tiveram vida curta e difícil. Outros organizaram insurreições. Muitos se dedicaram à formação e à participação nos sindicatos de trabalhadores, que consideravam um espaço privilegiado para a difusão da ideia anarquista e um exercício importante de autogestão. Houve os que investiram na educação, criando escolas alternativas que visavam formar crianças autônomas, e na arte engajada, como o teatro popular e a literatura com conteúdos políticos.

 Milicianos anarquistas de CNT-FAI 
Barcelona, 28 de agosto de 1936. 
No Programa Anarquista, escrito por Malatesta em 1903, ele argumentava que os anarquistas queriam mudar radicalmente o mundo, substituindo o ódio pelo amor, a concorrência pela solidariedade, a busca exclusiva do próprio bem-estar pela cooperação, a opressão pela liberdade. “Queremos que a sociedade seja constituída com o objetivo de fornecer a todos os meios de alcançar igual bem-estar possível, o maior  desenvolvimento possível, moral e material. Desejamos para todos pão, liberdade, amor e saber”, escreveu Malatesta na conclusão do programa. Já nos anos 1920 e 1930, o movimento anarquista perdeu força, com o surgimento dos partidos comunistas e o aumento da presença do Estado nas sociedades ocidentais, fechando o ciclo do chamado anarquismo histórico. Na Espanha, em Aragão e na Catalunha, os anarquistas conseguiram realizar uma verdadeira revolução durante a guerra civil: operários e camponeses se apoderaram das terras e das indústrias, estabeleceram conselhos de trabalhadores e fizeram a autogestão da economia. Essa coletivização teve considerável sucesso por algum tempo e, embora derrotada, foi a experiência anarquista mais importante da história e ficou na memória dos libertários como a prova concreta de que a anarquia era possível.
Á partir dos anos 1960, quando se confirmaram suas previsões sobre os perigos da centralização do poder nos países socialistas, houve uma retomada do anarquismo em todo o mundo. Suas ideias libertárias influenciaram movimentos sociais, como o estudantil, o feminista, o ecológico e o hippie, penetrando com força também nas universidades. Em tempos de contestação do capitalismo e da capacidade dos governos de representar suas sociedades, os ideais anarquistas parecem mais vivos do que nunca.
Edilene Toledo é professora da Universidade Federal de São Paulo e autora de Anarquismo e sindicalismo revolucionário: Trabalhadores e militantes em São Paulo na Primeira República (Fundação Perseu Abramo, 2004).  

48. Há gostos e há julhos

 Há lágrimas e desgostos,
há julhos e agostos,
pelos bons que partem 
sem aviso, sem adeus
(não há avisos
mas há deus)...
Ficam os mesmos,
que não queimam nem ardem
marcando nossos rostos
de crentes e ateus...
(se há teus então leve dusteus
e deixe, mais um pouco, dusmeus) ...

22 de julho de 2014 - 
Lembrando Rubens Alves e Ariano Suassuna

quarta-feira, 18 de julho de 2018

47. MeMóRiA SiNDiCaL

1934 - Foto da segunda diretoria eleita do Sindicato.dos Trabalhadores no Couro e Artefatos de Novo Hamburgo. 

De pé (da esquerda para a direita): Caleno Oliveira, Adolfo F. de Matos,
Emilio Oldenburg, Carlos Acker e Olmiro de Oliveira.
Sentados: Aloisio S. Campani, Alberto José Lopes e Júlio Mohr

sexta-feira, 6 de julho de 2018

Carta de um imigrante

CARTA DE UM EMIGRANTE ENVIADA, EM 1832, PARA SEUS PARENTES NA ALEMANHA

Muitos mulfingers (moradores de Mulfinger) abandonaram sua pátria no decorrer dos dois últimos séculos; ou eles se mudaram para outras localidades da Alemanha ou se retiraram definitivamente para regiões transoceânicas. Esta última opção especialmente foi muito freqüente ao longo do século 19.Através de uma carta de emigrante publicada no “Kocher-Jagtboten” em 1832, nós nos tornamos cientes dos difíceis destinos dessas pessoas que foram expulsas pela precariedade existencial de sua pátria:
 “Da Colônia São Leopoldo, próxima da cidade de Porto Alegre, no Império do Brasil: escrito a primeiro de janeiro de 1832". Fonte: Blog Historias do Vale do Caí postado no dia 08 de maio de 2018.


Carta original extraída do livro dos mil anos de Mulfinger, 1980, pesquisado por Luis Alberto Friedrich, e tradução feita por Mário Silfredo Klassmann em novembro/2002.  

http://historiasvalecai.blogspot.com/2018/05/5382-carta-de-um-imigrante.html

quarta-feira, 27 de junho de 2018

46. A revolução conservadora

Mudo ando,
mudo passo,
mudo paro 
e o tempo
que não muda,
que não passa
branqueia minha barba,
surrupia-me as melenas
revelando-me, por fim,
cada vez mais conservador.
Não quero abrir mão
de mais nada,
das coisas que tenho,
da serenidade conquistada,
dos momentos felizes
com quem escolhi ficar.
Quero conservar,
manter sem mudar...
O tempo me contou
das coisas que
não vou mais mudar.
Não mudo mais de gênero,
nem de sexo,
nem de esposa
ou família,
nem time de futebol
nem de partido
ou convicções políticas ...
Também não mudo mais
minha sincera
e empedernida convicção
que homens e mulheres,
são diferentes
mas não desiguais
porque todo ser humano
tem direito a justiça da igualdade
e a felicidade que isso proporciona.
Nenhum ser humano
pode ser rotulado
por seu poder de compra
ou faixa de consumo.
Cada pessoa no controle
do próprio corpo,
conduz sua nave
pelo espaço
na busca do prazer
e da felicidade de
amor dar e amor receber...
Me assumo
como conservador,
mantenho e retenho
minha cisma teimosa
que cada um
deve assumir
"a dor e a delícia
de ser o que é"
porque sob todas as formas,
além de todas normas
"toda maneira de amor
vale a pena".

Glnei Andrade

sexta-feira, 8 de junho de 2018

44 Um anjo caído

 O tempo não existe
para quem o criou.
Aqui na Terra, sim,
somos governados,
sofremos e festejamos
a existência das horas,
de um passado,
um presente e um futuro.

Ás vezes,
só para testar
nossas potencialidades
Ele cria anjos,
como quem sopra
bolinhas de sabão
e os envia para junto
dos seus filhos terrenos.

E esses anjinhos,
caídos e ou enviados,
germinam no ventre
das filhas da Terra.
Essas criaturinhas,
uma gota de sangue coagulado
e duas de sopro divino,
ao nascer dão a luz
que ilumina e dá sentido
a existência nas malocas
e nos palácios.

Pouco tempo atrás,
não importa
quanto tempo exatamente
- porque a medida que
o homem caminha
sobre a Terra
torna-se aliado do tempo
e inimigo das horas -
um segundo anjo
bateu as portas 
de nossa morada.

As bisavós deram a ela,
lá no céu, grandes olhos azuis,
ganhou dos pais, na terra,
bochechas salientes
e tomou emprestado,
na viagem, um brilho de sol
que lhe pintou os cabelos.

No tempo cronometrado
da terra, o anjo cresceu rápido,
falou precocemente
e demorou para andar
porque nunca mais
iria parar de andar.

Deixou de ser anjo,
em anjo-criança
se transformou e
os pais e amigos choraram
pela felicidade que sentiram.

Depois o anjo-criança
seguiu caminhando,
estudou, representou,
cantou e encantou.
O anjo-criança
representou ser adulto
e colocou-se no lugar
dos outros que pensam
que a governam.

E hoje o anjo quer mais.
Sentindo-se forte
e sentindo fogo nas asas 
quer voar para mais longe,
quer conhecer outros lugares
um pouco além da segurança do ninho.

Eu olho esse anjo adultoscente
e vejo nos seus olhos
e no seu rosto
a semelhança da minha mãe
e das minhas avós.
Vejo numa só criatura
a dor e a alegria de gerações,
que no tempo da terra
já se foram,
mas que no tempo do Criador
continuam a nos abençoar.

Anjo do pai e da mãe,
presente do Criador
que cresceu e quer viver.
Que quer sofrer e amar.
O que posso fazer
ou dizer além de abençoar?


Vai, filha descobre o mundo
mas volta antes das dez.
Mostra para eles
do que tu és capaz
mas não esquece
a chave de casa.
Arranca dos outros
os merecidos aplausos,
só não esquece
o agasalho porque
vai esfriar e pode chover.

Feliz aniversário, Thaís.
Só não esquece
que todo mundo passou
pelos vinte para chegar
nos vinte e um.
Uma longa vida
de muita luz, saúde e amor,
filha do amor 
de um pai e uma mãe.
Beijos.


Novo Hamburgo, 
8 de junho 2013
Inverno no Sul