I m A g E m

I m A g E m
O Velho do Espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

terça-feira, 4 de março de 2008

11. Era uma vez

Era uma vez
um lugar selvagem,
habitado por seres primitivos
que nada sabiam,
além de caçar e pescar,
amar e serem deliciosamente
felizes...





Aí seres superiores
em naves balançantes
de grandes panos brancos,
chegaram e trouxeram
a doença, o trabalho e a morte.
Trouxeram as armas, 
as roupas e os espelhos,
e sua religião.

Jogaram latas e garrafas
por todos os cantos,
criaram o plástico que
nunca se entrega à terra.
Trouxeram fumaça, herbicidas,
inseticidas, detergentes,
desinfetantes, comida artificial,
papel, confete, serpentina,
preservativos, absorventes,
supositórios, carne de soja, 

leite em pó...
e sua deusa adorada,
a poluição, senhora sagrada da
miséria e da destruição.

E vieram idéias, costumes diferentes,
castigos, dores e tristeza.
E cresceram casas, cercas,

 muros, terreiros e janelas,
crianças crescendo presas,
flores morrendo em vasos,
pássaros engaiolados,
matemática moderna, física,
química, geografia,
pai-nossos e aves-maria,
proclamações, constituições,
reis, imperadores, presidentes,
deputados, senadores, generais,
constituições e uma corja
de ladrões...

E brotaram edifícios, carros,
barulho e cidades, motéis e lancherias.
E o consumismo, filho do capitalismo,
casou com a poluição,
filha do desenvolvimento
e da tal exploração,
e a filharada foi nascendo
em linha de produção...

Nasceu a constituição outorgada,
o colégio eleitoral,
a infidelidade partidária,
o parque nacional de
indústrias importadas,
a legislação sindical,
o conflito mundial,
o golpe militar,
e a ideologia de segurança nacional.


A poluição envenenada
com o seu próprio veneno
e o consumismo cansado 
e quase acabado
vão dando os “tiros” finais
e os frutos mais recentes
desta união infernal
ninguém suporta mais.

São generais
com formação americana,
eleições marcadas
sem valer uma banana
imprensa censurada,
informações deformadas,
governadores nomeados,
prefeitos indicados,
medidas de emergência,
salvaguardas nacionais,
governos de decreto,
nasceu até Delfim Neto
dessa bandalheira total...


Gilnei Andrade -
janeiro de 1984

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