João Jorge e Jacobina Maurer

João Jorge e Jacobina Maurer

I m A g E m

I m A g E m
O Velho do Espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

domingo, 28 de fevereiro de 2010

21 Freitas de Andrade

Pesquisa genealógica
Alguns resultados da minha pesquisa genealógica amadora:



1. Pelo lado materno somos filhos de Erna Terezinha de Freitas (Erna Terezinha Freitas de Andrade) nascida em 21.06.1937 em São Sebastião do Cai e falecida em 24 de junho de 1974, na mesma cidade.


2. Erna era filha de Amantino Jose de Freitas (16maio1902 / falecimento 1975 em S.S. do Cai) e Herminia Rodrigues da Silva (Herminia Rodrigues de Freitas - Vó Mindoca) nascida em 08 jan.1909 / falecida em 1989 em SSdo Cai).


3. O avô Amantino era filho de Alfredo Jose de Freitas (1877/1927) e Maria Olinda Lucas (1870/1969). A avó Herminia era filha de Joao de Deus Rodrigues da Silva (1884/1934) e Amalia Rodrigues da Rosa (1884/1934).


4. O bisavô Alfredo Jose era filho de Isaac Jose de Freitas (1852/1912) e Bernardina Pereira Netta (1852/1912). O casamento de Isaac e Bernardina foi em 21 maio 1869 em Nossa Senhora dos Anjos – Gravataí – RS.

5. A bisavó Maria Olinda Lucas era filha de Paulino Jose Lucas (1845/1895) e Felicia Antonia (1845/1895) . 


6. O bisavô Joao de Deus era filho de Manoel Rodrigues da Silva ( 1859/1909) e Manoela Rodrigues da Silva (1859/1909).


7. A bisavó Amalia Rodrigues da Rosa era filha de Guilhermino Rodrigues da Rosa (1859/1909) e Maria Emilia da Rosa (1859/1909).


8. O tataravô Isaac era filho de Jose Gomes de Freitas (nasc1825/falec.1900 em São Francisco do Sul – Santa Catarina) e Cândida Maria de Jesus ( nasc. em 1825/ falec.1900 em São Francisco do Sul – SC). O casamento de Jose Gomes e Candida foi em 1850 em S. Francisco do Sul – SC)


9. A tataravó Bernardina Pereira Netta era filha de Zepherino Correa da Silva (1827/1877) e Anna Pereira Netta (1827/1877). 


10. A tataravô Felicia era filha de Ursula...(1820/1870). 


1.  Pelo lado paterno  somos filhos de Amandio Pereira de Andrade (DN 22/04/1937 em SSdoCai). 


2. Amandio é filho de Franklin Pereira de Andrade (DN 01/01/1914 e falec. em 1976 em SS do Cai) e Augusta de Freitas (DN 07/09/1907 e falecida em 23/03/1974 em SS do Cai).


3. O Avô Franklin é filho de Sylvio Pereira de Andrade ( Flores – nasc. em 1889 e falec. em 1939) e Leonilda Pereira de Andrade (1889/1939).


              Sylvio Pereira de Andrade (Flores – N 1889 F 939) e Leonilda Pereira de Andrade (1889/1939)                    com os filhos Antonio e Franklin e filhas Generosa, Hortencia e Julia 


4. A avó Augusta é filha de João Manoel de Freitas ( 1882/1932) e Genoveva de Freitas (1882/1932).


5. O bisavô Sylvio é filho de Franklin Pereira de Andrade (1864/1914) e Clara Viegas (1864/1914).

                                                         Augusta de Freitas (N 07/09/1907                                                         F 23/03/1974 em S.S.do Cai)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

20. Freitas de Andrade

                                                                                                            Foto: arquivo da família
                                                     40 anos depois - Gilson, Gilnei e Gislane no fim da                                                                                           década de 1960 e no final da década de 2000/2010.


                                                                                  Foto: arquivo da família
                               20 de setembro de 1958 -  O casamento de Amandio Pereira de Andrade e                                                    Erna Terezinha de Freitas na igreja velha da vila Conceição, em S.S.do Caí, marca o                                 início do "clã Freitas de Andrade".


                                     Foto: arquivo da família

                                          Augusta de Freitas Andrade e Franklin Pereira de Andrade (com um afilhado)                                                  são os pais de Amandio Pereira de Andrade. Foto tirada em São Sebastião                 do Caí-RS defronte o armazém. 

                                                            Foto: Sandra Amorim  Esta é a Júlia Ramcheski de Andrade
           Bisneta do Amandio e da Erna e tataraneta do Franklin, 
          da Augusta, do Amantino e da vó Mindoca. A vida continua!!!


                                                                                                                                Foto: arquivo da família

                                 Nesta foto, no final dos anos 60, está a família de Amandio Pereira de Andrade e                                                 Erna Terezinha Freitas de Andrade defronte o Armazém Andrade na estrada                      Julio de Castilhos, atual rua Esperanto, em São Sebastião do Caí - RS.
                                Da esquerda para a direita o Gilson, a Gislane, o Gilnei. O automóvel era                                                             uma camioneta que o Amandio chamava de "borguivargue'. Embora não tenha                                                     certeza acho que tratava-se de um modelo borg-warner. O carro era um Borgward                                                  cujo modelo, no Brasil, era conhecida como Isabella. Nas paredes do armazem           anúncios das bebidas e cigarros da época.

domingo, 11 de outubro de 2009

19. Mel

Pelas mãos desse menino chegam a seu destino essas flores especiais. São flores enviadas por alguém que te amou há muito tempo atrás. Por isso são importantes, receba-as com devoção, elas quebram um feitiço que nasceu de uma paixão. De novo é outono - dezoito dias se foram desde que maio chegou - e a mais linda bruxinha da minha vida não voou. Uma flor sempre é linda e o romantismo não morreu, saiba que te amo ainda e que o último romântico sou eu:

Quando estava em você
e você estava em mim,
me dizias pra deixar,
que era bom ficar assim.
E agora porque não dizes
onde andas, por favor,
como vou chamar de amiga
quem já chamei de amor.

Quando te conheci
nasceu em mim um novo dia,
no momento que te vi
soube que serias minha.
Foste minha esperança,
tudo que um homem quer,
com teu jeito de criança
e teu corpo de mulher.

Quando estava em você
e você estava em mim,
me dizias pra deixar,
que era bom ficar assim.
E agora porque não dizes
onde andas, por favor,
como vou chamar de amiga
quem já chamei de amor.

Mas na vida nem tudo
foi feito para dar certo,
quanto mais eu te amava
menos tu estavas perto,
sei que gostavas de mim
mas era por outro que sonhavas,
mesmo em nossos momentos
fui apenas fantasia
porque no teu pensamento
era outro que te tinha.

Quando estava em você
e você estava em mim,
me dizias pra deixar,
que era bom ficar assim.
E agora porque não dizes
onde andas, por favor,
como vou chamar de amiga
quem já chamei de amor.

Não tive como impedir que,
numa sexta-feira de abril,
tu partisse, fosse embora
ficaram somente as lembranças,
de cada dia, cada hora,
tantas coisas vividas pela gente,
banhos tomados a dois
espuma em corpos quentes.

Quando estava em você
e você estava em mim,
me dizias pra deixar,
que era bom ficar assim.
E agora porque não dizes
onde andas, por favor,
como vou chamar de amiga
quem já chamei de amor.

A massagem improvisada
te fazia suspirar,
tuas pernas me abraçavam
não queriam me soltar.
Nos teus olhos morenos,
e nos teus lábios gostosos,
nos teus seios pequenos
e no colo aconchegante
eu todo me entreguei
e o que ouvi nesse instante
nunca mais esquecerei...
mais fácil as abelhas
esquecerem de fazer mel
do que eu esquecer teu nome,
minha vida, meu amor, meu céu...

Quando estava em você
e você estava em mim,
me dizias pra deixar,
que era bom ficar assim.
E agora porque não dizes
onde andas, por favor,
eu não sei chamar de amiga
quem já chamei de amor.


Gilnei Andrade
Novo Hamburgo - 1987

sábado, 10 de outubro de 2009

As fronteiras do país farroupilha

FICÇÃO

Na versão do historiador Mário Maestri, o Rio Grande do Sul seria conhecido pelos vizinhos como a República do Pampa Ao propor um exercício de ficção, o caderno Cultura convidou o historiador Mário Maestri, o jornalista e escritor Elmar Bones e o professor de literatura Luiz Horácio para escrever sobre a Revolução Farroupilha (1835 – 1845).

Na nova e diferente guerra dos três autores gaúchos o final é outro. Não bate, claro, com o conflito real, que eclodiu no fim da noite de 19 de setembro, na Ponte da Azenha, em Porto Alegre. Os imperiais e farroupilhas se enfrentaram 118 vezes, com 3,4 mil mortos, em dez anos. O número de feridos nunca foi calculado.

“Após concentrar suas forças na luta contra as insurreições do Pará, do Maranhão e da Bahia, os exércitos imperiais conheceram graves derrotas no Sul, concluídas com a rendição do barão de Caxias, após o desastre brasileiro na batalha do Cerro de Porongos, em 15 de novembro de 1845. Dois anos mais tarde, o Brasil reconhecia a independência e estabelecia relações com a República do Pampa, nome assumido pela antiga província de São Pedro do Rio Grande do Sul”.

As tendências históricas, materializadas na ação concreta das classes embaladas pelas suas necessidades sociais, levaram a que o parágrafo inicial constitua mero exercício de imaginação sobre eventual registro, em manuais escolares brasileiros de 2009, da hipotética vitória da secessão farroupilha. Elucubração que talvez encontre justificativa na celebração privada e pública incessante e irrefletida do movimento separatista, promovido em 1835-45, pelos latifundiários escravistas do meridião rio-sulino.

As fronteiras pampianas não seriam as de hoje, demarcadas, ao norte, pelos rios Mampituba e Pelotas, e, ao sul, pelo arroio Chuí. Uma forte crise imperial permitiria que a eventual raia republicana setentrional abiscoitasse parte do território catarinense.

Porém, é mais provável que a jovem república tivesse seus limites nos rios Jacuí-Ibicuí, permanecendo brasileiros Porto Alegre e todo ou parte do norte da antiga província de São Pedro. A população livre da capital libertou-se e resistiu às tropas farroupilhas, apoiada ativa ou passivamente pela comunidade colonial-camponesa alemã, que nada tinha a ganhar e muito a perder com os republicanos da Campanha. Pela indômita resistência, Porto Alegre, três vezes cercada e bombardeada pelos farroupilhas, ostenta, hoje, no seu brasão, a consigna de “leal” – ao Império – e “valorosa” – diante dos republicanos.

A República do Pampa possuiria população diminuta e de perfil étnico diverso que o atual. Como no resto do Brasil, os grandes proprietários fundiários sulinos sempre se opuseram ao assentamento de camponeses.

A imigração alemã não seria retomada, com a fundação de Santa Cruz [1847], e as quatro colônias italianas imperiais [1875] seriam desviadas para territórios brasileiros. A república latifundiária não conheceria o impulso demográfico e a acumulação de capitais permitidos pela proliferação de economias familiares nascidas da vaga colonial-camponesa europeia. Portanto, nada de vinho, nada de cerveja, nada de polenta, nada de indústria! A própria economia pastoril conheceria forte golpe com a secessão. Sem o apoio das províncias centrais brasileiras, o tráfico de trabalhadores escravizados seria abolido, sob a pressão inglesa. As fortes perdas de cativos para o Uruguai, durante a guerra de independência, seriam repostas com dificuldade e a necessidade de fortalecer os exércitos pampianos levaria à abolição da escravatura, como nas repúblicas vizinhas. Um ponto para os republicanos!

A produção charqueadora-pastoril sofreria com a falta de mão de obra para ser explorada. Os fazendeiros farroupilhas do norte do Uruguai, entre eles o general Netto e Francisco Pedro de Abreu, se submeteriam comportados às leis da nação vizinha, ou seriam expulsos a patadas, pelo presidente blanco, como Atanásio Aguirre, pois não poderiam esconder-se sob a bandeira dos exércitos imperiais, como fizeram em 1851 e 1865. O estrangulamento da imigração camponesa alemã e a inexistência da italiana, polonesa, judia, etc. materializariam o destino pastoril sonhado pelos chefes e ideólogos farroupilhas para a antiga província.

Como no Uruguai, na República do Pampa não brotariam as indústrias artificiais, contra as quais os descendentes políticos farroupilhas – liberais, federalistas, libertadores, udenistas, neoliberais etc. – mobilizaram-se e mobilizam-se. Cidades como Caxias, Marau, Santa Cruz do Sul não existiriam nas fronteiras da nação farroupilha. A saída seria transformar os pampas em um imenso deserto verde, igual que o Uruguai atual!

A grande novidade seria o fortíssimo MOUBRAPAM (Movimento pela União do Brasil e do Pampa), nascido durante os motes populares ocorridos em Bagé, a capital mais populosa cidade do Pampa, quando da quinta desvalorização do estribo, moeda nacional da República, após a crise de 2008. Tudo no início do segundo mandato do presidente Tonico Augustus Nico Fagulhas, que se encerra em 20 de setembro de 2010. Caso não modifique a constituição para concorrer ao terceiro.

* Mário Maestri, historiador, é professor do Curso
e do Programa de
Pós- Graduação em História
da Universidade de Passo Fundo

FONTE: http://www.zerohora.com.br/
19 de setembro de 2009

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

18. Como el Uruguay no hay

Participei da XIV edição do Fórum de São Paulo, em Montevideo, como delegado do PT - Partido dos Trabalhadores. O Encontro ocorreu nos dias 23, 24 e 25 de junho de 2008 e da delegação brasileira de cerca de 60 pessoas, mais da metade deslocou-se de onibus saindo de Porto Alegre.

                                        

Saímos de Porto Alegre no feriado da quinta-feira e atravessamos a fronteira por Chuí. Chegamos a Montevideo na manhã de sexta-feira e o chefe da delegação, Gilson Gruginskie foi promovido a sargento porque nos levou direto para o local da reunião, sem banho e sem descanso, após 12 ou 13 horas de viagem.


                                       

O Forum de São Paulo realizou-se no Parlamento del Mercosur (foto acima) um prédio muito bonito, onde antes funcionava o Paque Hotel, um hotel-cassino, na Lhambra Sur. O cassino continua funcionando bem ao lado do local onde ficamos, mas o 'sargento' Gilson deixou claro que, como delegação do partido do Lula, devíamos ser exemplares. Quem peleia contra os bingos no Brasil, não pode nem pensar em caça-níquel ou roleta no Uruguay...

Parte da delegação gaúcha na foto acima.
Ficamos hospedados no Hotel Richmond na San Jose, no centro. A propaganda da internet mostrava um hotelzinho pequeno e agradável, como a maioria dos hotéis baratos de Montevideo. Mesmo com a impressão de propaganda enganosa o hotelzinho foi uma boa experiência. Quem vive de salário e de uma forma simples se sente em casa (acho que em casa a gente abre mais as janelas e combate com mais empenho os ácaros e o cheiro de mofo).


                                        

Como uma criança numa loja de doces me sentia em relação a visita ao Uruguay. Para quem estuda e gosta de História, como eu, tem muita coisa para ver e visitar. Viajei com várias indicações de lojas , livrarias e museus. Tudo bem anotadinho... só faltou combinar com a meteorologia. Houve um desses ciclones, no mar, perto da Argentina e choveu e ventou direto até no domingo, quando começou a melhorar. Conhecí poucos lugares, mas conhecí o pampero, um primo mau humorado do nosso vento minuano. Conhecí também o mormaço, como eles chamam o tempo úmido, frio e feio. Prá mim, mormaço era só um calorão.

                                  

Não fui na maior feira ao ar livre da América Latina, a feira da rua Tristán Narvaja. Não visitei internamente o Teatro Solis, nem a Casa de Garibaldi, nem a Casa de Artigas, nem o Museu Romântico, nenhum dos diversos museus da cidade, nem o estádio do Penharol... No domingo na hora de ir embora fizemos um tour, de onibus, por alguns pontos turísticos da Ciudad Vieja. A Rosa, no microfone do onibus, relembrou sua vivência prática e seus encontros.. políticos, é claro. O Alvaro Alencar revelou-se - teoricamente - um conhecedor dos meandros da noite de Montevideo.

Enfrentamos, durante toda nossa estadia, dois tipos de adversidade: de um lado o tempo, com mormaço e pampero, que não deixavam a gente sair para lugar algum e de outro o Gilson, sempre de olho, para impedir o desgarramento da delegação. Na manhã que chegamos - sexta - os delegados foram divididos em três talleres (grupos ou oficinas): Andino amazônico, Cone Sul e Caribenho/Mesoamericano. A maioria dos nossos delegados ficaram no taller Cone Sul. Aos poucos fomos nos ambientando e descobrindo os demais brasileiros no Encontro. O Secretário de Relações Internacionais do PT nacional, Valter Pomar, era o sub-comandante da delegação onde também estavam o Nilmário Miranda, de Minas, o José Eduardo Cardozo e o Joaquim Soriano de São Paulo, o Raul Pont e a Maria do Rosário do Rio Grande, entre outros. O PCdoB e o PCB também participaram do Encontro.

Na tarde do primeiro dia houve nova divisão em três grupos dessa vez: juventude, gênero e parlamentares. Nos atrasamos para a parte da tarde porque fugimos da vigilância do Gilson e fomos almoçar no Mercado da Ciudad Vieja. Eu, a Sandra, a Magda Flores e o Lucio Costa provamos a 'parrijada' e um belo vinho. Na mesa ao lado o Alvaro Alencar e o Joaquim Soriano pareciam dois monges medievais tal a felicidade no semblante e no sotaque. No mercado dei-me conta que os brasileiros haviam invadido a cidade. Em todos os bares e restaurantes, nos corredores estreitos e na fila do banheiro falava-se mais português que espanhol. Se houvesse alguma unidade de objetivos poderíamos ter retomado a ideia da Província Cisplatina. Mas que nada, os brasileiros só queriam passear, comprar, comer, beber e dar risadas...

Andamos muito de táxi. Esse meio de transporte é barato, os carrinhos são pequenos, parecidos com o do Mr. Bean e os motoristas adoram tirar fininho dos outros carros. Os taxis lembram as viaturas antigas da Polícia Rodoviária Federal, são pretos com o teto amarelo. A Magda animou-se a tal ponto que teve de ser contida para não surrupiar um táxi e sair dirigindo enlouquecida pelas ruas de Montevideo. Já um companheiro nosso, da juventude de Bagé, não se conteve e surrupiou o coração de um taxista local que deve estar, até hoje, suspirando de paixão. Na volta de uma festa nosso companheiro de Bagé repousou seu cansaço no ombro amigo do motorista.

Gilnei e Guillermo
Outra grata surpresa da delegação foi o companheiro Guillermo (foto acima), o mais brasileiro dos uruguaios. Foi nosso mestre e mentor intelectual, nossa mão amiga em todas as situações de dificuldade com o idioma, com a localização na cidade, com a história dos tupamaros e da esquerda no Uruguay, com as diferenças culinárias e principalmente com o câmbio. Quem diria nosso grande 'Guilhermino', um internacionalista, socialista e histórico militante esquerdista tornou-se o cambista oficial da delegação atrapalhada com as cotações do dólar, do real e do peso.

Nesta foto, tirada num raro momento de turismo estou defronte o belo Palácio Legislativo. 
Com algum esforço você vai conseguir enxergar tanto quanto eu enxerguei, ou seja, quase nada.
                           
No segundo dia foi possível sentir o nervosismo de alguns jornalistas que farejavam guerrilheiros colombianos portando fuzis automáticos soviéticos. Sintomático como a revista Veja, do Brasil, ocupou o lugar da antiga 'Seleções' na condição de preferida da Central de Inteligência Americana. A delegação gaúcha chegou a discutir sobre a necessidade de esconder as bombas de chimarrão para não dar informações ao inimigo sobre o potencial do nosso arsenal bélico. Mas deixou por isso mesmo já que não valia a pena gastar pólvora com chimango...


Nesta foto o Palácio Legislativo aparece em toda sua exuberância. Eu não estou nela porque 
em dias claros de sol e céu azul não faço turismo, permaneço em reuniões nas salas fechadas.
                                     
Durante o sábado realizaram-se duas sessões plenárias uma de balanço político e outra, á tarde, sobre os processos de integração. No domingo, último dia do Encontro, houve nova plenária discutindo "A Esquerda no Governo" e, á tarde, houve a aprovação da Declaração Final do Encontro e votação das resoluções apresentadas. Os principais pontos de discussão do Fórum de São Paulo foram a denúncia e a condenação da política de guerra preventiva na América Latina, a atuação dos Estados Unidos na Colômbia e a conseqüente invasão do território equatoriano pela Colômbia, apoiada pelos norte-americanos. Também foi saudada a vitória de Fernando Lugo nas recentes eleições do Paraguai que simboliza o ingresso de mais um país no mapa das forças progressistas e de esquerda no continente. O apoio ao governo de Evo Morales que enfrenta ameaças de sublevação e autonomia de determinadas regiões da Bolívia controladas pela oposição foi muito citado.

O secretário geral do PT - Partido dos Trabalhadores, José Eduardo Cardoso, defendeu o apoio ao governo de Evo Morales, que tem pela frente uma difícil jornada com o referendo revogatório que será realizado no dia 10 de agosto. José Eduardo Cardoso falou sobre os desafios do PT que concorrerá em 2010, sem Lula como candidato, mas, mesmo assim, o dirigente brasileiro acredita que existam condições efetivas para unir forças progressistas e garantir um terceiro mandato do PT no governo federal.
Durante a última plenária do Forum de São Paulo, no domingo, as discussões sobre o Tratado de Itaipu e sobre as imigrações políticas e econômicas que esvaziam países latino americanos e, cada vez mais, engrossam a fila de ilegais nos Estados Unidos, Europa e Japão foram as únicas polêmicas. A comitiva paraguaia conseguiu, no último momento, incluir no documento uma resolução que afirma o FSP como mediador e apoiador do Paraguai nas renegociações de tratados hidroelétricos com o Brasil e a Argentina.


Levei algum tempo para me dar conta de algo simples e genial, algo que a gente vê tanto que demora para compreender. Montevideo lembra Porto Alegre: a ciudad vieja e o mercado, as avenidas floridas, os prédios históricos e também a avenida a beira-mar com o Rio da Prata e o Atlântico no lugar de irmãos mais velhos do Guaíba. Mas tinha algo charmoso no ar, a cidade parecia aberta enchendo nossos olhos e Porto Alegre, não. Até que... caiu a ficha.


                              
Eu, o senador da Frente Ampla, Jose Mujica e a Sandra

Na chegada antes de Montevideo eu ví, e depois não ví mais, pequenos out-doors no chão cuja imagem tinha algum movimento. Mas eram pequenos, pouco mais de um metro quadrado e ficavam nas esquinas das ruas. Depois na área central não os avistei mais e ao buscá-los com os olhos ví algo muito mais majestoso, a beleza do invisível. Montevideo não tem outdoors, nem luminosos nem propagandas gigantescas escondendo a cidade. Ela parece mais aberta porque é mais aberta, linda, despoluída, desnuda... Porto Alegre também pode ser assim ou voltar a ser assim, basta despí-la da poluição visual...

  
                                               

No encerramento do Encontro o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega homenageou vários lutadores dos partidos de esquerda da América Latina,  empolgou-se e fez um longo e chato discurso. Inspirou-se em Fidel ou em Hugo Chavez cujos discursos duravam horas. Ao citar, com pesar, a morte de Tirofijo, comandante histórico das Farc alimentou a sanha dos caçadores de guerrilheiros infiltrados na imprensa.




Eu, pessoalmente, apreciava mais o Daniel Ortega, comandante da Frente Sandinista nos anos 80. Aquele Ortega, mais carismático e conciso, não perderia para o sono a atenção de um plenário tão qualificado.

Agradecimento a todos integrantes da delegação e à Clarissa Pont, filha do Raul, de cuja matéria jornalística para a Agência Carta Maior emprestei algumas informações.

PS - Na iminência da vitória eleitoral de José Mujica da Frente Ampla para a presidência do Uruguai volto a postar o artigo abaixo sobre o Foro de São Paulo realizado em junho de 2008.

Gilnei Andrade
em outubro de 2009
                                

domingo, 2 de agosto de 2009

Paleotocas impressionam em Novo Hamburgo

 Patrimônio natural descoberto no Vale do Sinos surpreende pesquisadores 
pelo bom estado de conservação.



 Entre os mais de 60 túneis escavados por animais que viveram na América do Sul há milhares de anos, foi em Novo Hamburgo, no Vale do Sinos, que os geólogos Heinrich Frank e Francisco Buchmann encontraram a paleotoca – toca desocupada – mais impressionante que eles já viram em território brasileiro.
Em uma construção, às margens da rodovia Novo Hamburgo-Porto Alegre (BR-116), Frank localizou o túnel com um metro de altura, 25 metros de comprimento e ramificações de 17 metros para um lado e 20 metros para outro, com marcas de garras de animais. Somente análises minuciosas poderão certificar que animal foi responsável por escavá-la. O pesquisador Buchmann relaciona o túnel a um tatu. Como nenhum bicho morreu lá dentro, e não há ossada, somente as marcas das garras nas paredes e o tamanho da carapaça podem indicar qual animal fez. O que realmente impressionou Buchmann foi o estado de conservação da toca, cilíndrica, contínua, com marcas de garra e que termina abruptamente, cavada em uma largura e altura constante. Como forma de preservar o local, Buchmann esconde a localização exata do achado. 

Além de tatu, uma preguiça gigante pode ter feito a toca 
O fato das paleotocas estarem desobstruídas, com as marcas das garras e da carapaça do animal que a escavou, é um fato raro, destaca a professora doutora em Geociência da Unisinos, Renata Guimarães Netto. A raridade também surpreendeu Jorge Ferigolo, paleontólogo do Museu de Ciências Naturais da Fundação Zoobotânica:

– Todas essas paleotocas são importantes porque dão muitas informações sobre a vida dos animais. As marcas das garras e da carapaça podem comprovar de que animal se trata. Pode ser um chamado gliptodonte, grupo de megamamíferos, parente dos tatus. Além do tatu, uma preguiça gigante seria candidata à autora das escavações. A paleontóloga Ana Maria Ribeiro, também da Museu de Ciências Naturais Fundação Zoobotânica, é cautelosa sobre que tipo de animal teria feito a escavação.
– São tocas grandes, mas a gente ainda precisa analisar essas marcas que se apresentam dentro delas. Nós sabemos que foram tocas feitas por organismos, com certeza. Não é uma obra do acaso e não é uma questão geológica. Precisamos de muito estudo para analisar essa área – destaca. Para desbravar os túneis, os pesquisadores rastejaram e usaram máscara para proteção de fungos e um tubo exaustor para jogar ar para dentro da toca.

Saiba mais - O tatu, um dos animais que pode ter feito as escavações, seria um animal de pelo menos um metro de altura por dois metros de comprimento. Alimentava-se de vegetais, insetos, alguns deles carniça, pequenos mamíferos. Viveu há cerca de 10 milhões de anos e foi extinto há 10 mil anos atrás.
- A paleotoca foi localizada em uma construção, nas margens da BR-116. O túnel tem um metro de altura, 25 metros comprimento e ramificações de 17 metros para um lado e 20 metros para outro, com marcas genuínas de garras desses animais. Cilíndrica, contínua, tem marcas de garras que terminam abruptamente, cavada em uma largura e altura constantes.

FONTE : http://www.defender.org.br/

Saiba mais sobre o assunto em:   http://www.ufrgs.br/paleotocas/TocaNews22.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=gA_IOsZzhYY



domingo, 28 de junho de 2009

17. Cultura Afro-indígena


Esse texto é um resumo de um trabalho apresentado no Curso de História da Feevale de Novo Hamburgo/RS, no 1° semestre de 2009, sobre as leis que incluem a história e a cultura dos afro-descendentes e povos indígenas nos currículos das redes de ensino do Brasil e analisa o impacto em algumas cidades da região.


 Quando se estabelece através de lei a obrigatoriedade de determinado tema nos currículos escolares, além dos aspectos históricos, sociais e culturais envolvidos busca-se evitar que determinado tema permaneça no esquecimento. Busca-se dar importância e relevância ao assunto forçando a discussão de uma situação sobre a qual o silêncio funciona como um manto de invisibilidade. Um processo desses é capaz de mudar, ampliar ou formar novos entendimentos colocando em cheque conceitos já estabelecidos. Trata-se de um processo e como tal é lento e demanda tempo para apresentar resultados mensuráveis.


É possível perceber e valorizar a importância das políticas de ações afirmativas como a desse grande movimento que resultou na promulgação da lei nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Já sua ampliação posterior estabelecida através da nº 11.645, de 10 de março de 2008 que incluiu a cultura indígena, apresenta resultados ainda tímidos em Novo Hamburgo e no Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, o que pode ser debitado a sua recente criação.


Mas os seis anos de existência da lei 10.639 já possibilitam a constatação de alguns avanços embora ainda haja muito caminho a trilhar. A produção e ampliação das tiragens de livros didáticos, a superação das comemorações pontuais vinculadas a datas históricas, uma maior interação da comunidade escolar com a cultura, as artes e as lutas dos negros e o engajamento e busca de qualificação dos professores são passos a comemorar.


Sabemos que o tema suscita controvérsias e desperta resistência de professores e determinados setores da sociedade afinal de contas não estamos falando de um tema neutro ou de aceitação universal como a defesa ambiental ou a luta contra a extinção de determinadas espécies. Trata-se de um tema mais áspero e árduo que cobra engajamento e dedicação daqueles que abraçam e concordam com a causa.
São das lutas e anseios dos movimentos organizados de pressão popular que devem brotar as leis que mudam a vida de homens e mulheres em nossa sociedade.

FONTE :  Trabalho de pesquisa durante curso de História na Universidade Feevale

                                                                         Gilnei Andrade

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

16. Leopoldo Petry

 
Leopoldo Petry - obra do
pintor Ernesto Frederico Scheffel


Leopoldo Lorscheitter Petry nasceu no bairro Industrial, na época conhecido como Matadouro dos Kroeff, em Novo Hamburgo - RS, no dia 15 de julho de 1882. Era filho do imigrante alemão e agrimensor Pedro Petry e de Barbara Lorscheitter, de São José do Hortêncio. Em 1891 entrou como aluno interno num colégio jesuíta, em São Sebastião do Caí, onde permaneceu por dois anos. Em 1893 foi para o Seminário Episcopal de Porto Alegre, também jesuíta, onde permaneceu por seis anos.

Em 1899 aceitou o convite e tornou-se professor na nova escola paroquial católica de Hamburgo Velho. Em 1902, aprovado em concurso, foi professor alfabetizador e diretor da escola pública de meninos de Lomba Grande. Nesse período casou-se com Maria Luiza da Silveira, que faleceu precocemente, em janeiro de 1911. Após a morte da esposa retirou-se do magistério e mudou-se, por um curto período, para Passo Fundo. Trabalhou como auxiliar de guarda-livros, em Porto Alegre.

Em 1912 adquiriu uma pequena olaria, perto da casa de seus pais, onde trabalhou por quatro anos e meio. Contraiu seu segundo matrimônio, em 1914, com Maria da Neves Marques e dessa união nasceram seus seis filhos que, no futuro, lhe dariam 24 netos, 53 bisnetos e 15 tataranetos. No dia 16 de janeiro de 1917 assumiu como secretário da Intendência Municipal de São Leopoldo, onde permaneceu até 01 de fevereiro de 1923, data de sua nomeação como coletor estadual de Novo Hamburgo, função que ocupou até 1927. 

                                                                                                Arte sobre foto - Paulo Haubert
Maria das Neves Petry
 
Ao lado de Jacob Kroeff Neto e Pedro Adams Filho, foi um dos líderes do movimento de emancipação de Novo Hamburgo de São Leopoldo que alcançou seu objetivo no dia 05 de abril de 1927. Jacob Kroeff Neto foi o primeiro intendente provisório de Novo Hamburgo. No dia 29 de maio de 1927, Leopoldo Petry elegeu-se como intendente (prefeito) de Novo Hamburgo. Exerceu o cargo de Intendente de 05 de julho de 1927 até 15 de novembro de 1930, quando foi afastado e chegou a permanecer detido, por alguns dias, por não aderir à Frente Única Gaúcha, muito forte na região. Nesse período manifestou-se favoravelmente ao movimento constitucionalista, que questionava o governo de Getúlio Vargas e cujo recrudescimento posterior levaria, entre outras coisas, ao conflito armado de 1932.

Em 04 de agosto de 1931 assumiu como ajudante do Cartório de Notas e Registros de Imóveis de Novo Hamburgo. Em 1934 foi eleito para a presidência da Sociedade União Popular do Rio Grande do Sul, uma instituição criada para atuar na defesa dos interesses sócio culturais da população rural do Estado. Profissionalmente, com o falecimento do titular assumiu o Cartório de Registro de Imóveis de Novo Hamburgo onde permaneceu até sua aposentadoria em 07 de julho de 1947, com quarenta anos de serviço público. Aposentado, voltou a atividade política e elegeu-se vereador em Novo Hamburgo, de 1951 a 1955, tendo exercido a presidência da Câmara Municipal e assumido a Prefeitura, interinamente. Durante a maior parte de sua carreira política permaneceu alinhado ao Partido Republicano Rio-Grandense. Mas na fase final elegeu-se vereador pela PRP – Partido de Representação Popular, ligado ao integralismo.

Leopoldo Petry foi professor, escritor, historiador, jornalista e político. Como professor foi um alfabetizador e como escritor fundou o anuário Der Famillinfreund Calender, em 1911, e o semanário O Cinco de Abril, em 1927. Foi colaborador de vários jornais para os quais escrevia em português, ou em alemão e autor de diversos livros e publicações sobre a imigração alemã e a história de São Leopoldo e Novo Hamburgo. Lançou na década de 50 o livro Carvalhos e Palmeiras, um livro de contos regionais, publicou, em 1957, o livro O episódio do Ferrabraz - Os mucker, obra sobre os colonos do Morro Ferrabraz em Sapiranga -RS que, seguindo a liderança religiosa e messiânica de Jacobina Mentz Maurer e João Jorge Maurer foram atacados pelo Exército Brasileiro, em 1874, resultando em mortes e prisões. Este livro obteve grande repercussão e sucesso. Em 1957 publicou o livro Pátria, Imigração e Cultura editado pela Federação dos Centros Culturais 25 de julho, de São Leopoldo.

Foi um homem interessado e incentivador dos esportes e da mudança de hábitos alimentares, na busca da preservação da saúde física e mental. Praticava e aconselhava a realização de exercícios e atividades físicas e ao adaptar uma velha bicicleta foi, possivelmente, o inventor da primeira bicicleta ergométrica. Caminhava à noite pelas ruas do bairro onde morava, cultivava legumes e alfafa no pátio dos fundos de sua casa. Foi organista da capela Sagrado Coração de Jesus no bairro Santo Afonso e nos últimos anos de sua vida manteve sua produção literária e dedicou-se a uma campanha de construção de um hospital no bairro Santo Afonso. Em todo material pesquisado e mesmo nas primeiras conversas informais, com seus descendentes, não há referência a origem da patente militar. Na sua autobiografia não há menção alguma ao caminho que percorreu para chegar a patente de major. Não seguiu uma carreira militar tradicional e a patente deve ser honorífica como reconhecimento a serviços prestados, talvez na própria Sociedade União Popular. 

                                                                Arte sobre foto - Paulo Haubert
Leopoldo Petry

Petry foi um patriarca nas relações familiares. Freqüentemente era surpreendido gesticulando e discursando para si mesmo. Repetia muitas vezes, entre os amigos, que a verdadeira alegria de viver resumia-se num velho ensinamento: ‘mens sano in corpore sano’. Adotou um estilo de vida disciplinado e regrado, levantava cedo e pedalava sua bicicleta, sem rodas, no sótão da casa, na sua alimentação não faltava aveia, leite, mel, suco de ameixas pretas, torta de bolacha com creme de manteiga e gemada com vinho. Ao anoitecer recolhia-se para seus aposentos onde lia os periódicos para sua esposa, enquanto ela fazia crochê. Mantinha um lápis preso por um cordão na cabeceira da cama para anotar as idéias que afloravam durante a noite. Na falta de papel apropriado para suas anotações escrevia em tampas de caixas ou em qualquer papel ao alcance da mão. Sua escrivaninha e a banqueta de trabalho eram altas para evitar uma posição cômoda porque segundo ele “a comodidade não favorecia a agilização do espírito”.

Foi o criador da Associação dos Municípios do Vale do Rio do Sinos, incentivador da FENAC, sócio-honorário do Museu Visconde de São Leopoldo, patrono da cadeira número 17 do Instituto Histórico de São Leopoldo. Durante décadas defendeu e organizou uma campanha que visava retificar, através de canalização, o traçado do Rio do Sinos, no trecho conhecido como Baixada. Buscava dessa forma combater os prejuízos e perdas provocadas pelas enchentes do Rio do Sinos e criar, ao mesmo tempo, uma nova área de expansão agrícola na região desenvolvendo, ainda, a navegação comercial e turística.

Leopoldo Petry foi um político polêmico e arrojado. O homem simples e tímido cedia espaço, nas lides políticas, a um parlamentar de excepcional formação intelectual, capaz de liquidar seus críticos e adversários citando, com a mesma desenvoltura, fatos e personagens da antiga Grécia, do Império Romano, do Renascimento e da época contemporânea. Buscou transmitir seu legado político incentivando e abrindo caminho a pessoas de suas relações e parentesco como o médico Wolfram Metzler, seu sobrinho, que foi vereador, deputado estadual e federal e que faleceu durante a campanha eleitoral que o tornaria o primeiro Senador da República, nascido em Novo Hamburgo. Também o empresário e advogado Níveo Leopoldo Friedrich, casado com Luiza Friedrich, uma das filhas de Petry, foi prefeito de Novo Hamburgo e até hoje mantém participação na vida social e política da região.

Leopoldo Petry deixa um respeitável legado que exige mais estudos e reflexão, homem enérgico e gentil, tímido e ao mesmo tempo polemista de tendências autoritárias. Leopoldo Petry faleceu, após uma rápida enfermidade, no Hospital Regina em Novo Hamburgo, no dia 29 de novembro de 1966, aos 84 anos de idade. Recebeu as honras fúnebres no Palácio Municipal e o município decretou luto oficial por três dias. O jornal Correio do Povo, edição de 01 de dezembro de 1966 noticia os atos fúnebres de Leopoldo Petry, com a presença de autoridades do Governo Estadual e da Assembléia Legislativa, das Forças Armadas, do Instituto Histórico e Geográfico do Estado, do Arcebispo de Porto Alegre Dom Vicente Scherer, de prefeitos e vereadores de vários municípios do Vale do Rio do Sinos.

FONTE: Trabalho de pesquisa realizado durante curso de História na Universidade Feevale com documentação material existente no Museu da Imigração Visconde de São Leopoldo e originais do trabalho de pesquisa da historiadora Liene Schutz.   


                                                              Gilnei Andrade                                                            

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Desgovernadora é xingada e vaiada

Aconteceu no dia 31/08/08 na Expointer e a Agência Celeuma publicou:



Um fato ocorrido no último domingo, 31 de agosto, durante a Prova Freio de Ouro na Expointer em Esteio, não teve destaque em nenhum órgão da grande imprensa que temos por aqui. O rapaz na foto fez valer a fama da gaúchada e não engoliu em seco o que tinha a dizer para a Governadora Yeda Crusius. Raquel Santana, de Curitiba, foi a única fotógrafa no local a registrar o ocorrido. Ela disponibilizou a foto para a blogosfera, e não para os "chapaBranca".

                                       Gaúcho desabafa e vai preso


Raquel escreve:
"Na prova mais disputada dentro da Expointer, o Freio de Ouro, um furo de reportagem. O cara ali em cima em pé*, simplesmente ofendeu a governadora Yeda Crusius, do Rio Grande do Sul, com palavrões de baixo calão. A platéia veio abaixo e foi uma confusão. Sob vaias e xingamentos, a governadora atravessou um longo caminho, até chegar ao palanque das autoridades. Do outro lado, sem saber direito o que se passava, fui a única a documentar o fato. Quando soube, a assessoria da governadora queria a minha foto de qualquer jeito. Claro que não dei. Mas o pobre rapaz foi preso. Uma pena, pois isso atenta contra a liberdade de expressão!"
O causo da Expointer tem dois pontos fundamentais. Primeiro, nosso novo ídolo e mártir não posou de louco sozinho ao desacatar a (des) Governadora do Estado. Sequer foi ele quem começou as vaias. Apoiamos irrestritamente o direito de um cidadão se empolgar na hora da merecida vaia à (des)Governadora e dirigir palavras certeiras contra ela. E segundo, o que passa, é que é, no mínimo, absurdo prender o cidadão. Por que não algemaram a arquibancada inteira que vaiava (e talvez dissesse coisas até piores, mas de forma um tanto mais discreta)?

terça-feira, 15 de julho de 2008

UMA GOVERNADORA INSÍPIDA, INODORA E INCOLOR



O anunciado fechamento de 20 unidades de uma das mais tradicionais fabricantes de sapatos do país, a Calçados Reichert (matriz em Campo Bom, no Vale do Sinos), vai criar profundas dificuldades para muitos municípios pequenos do Estado. A empresa está entre as maiores exportadoras de calçados do país, não possui marca própria (só monta para outras marcas) e emprega cerca de 5.500 sapateiros. Em reunião na Famurs, na última quinta, o ex-deputado estadual e atual prefeito de Campo Bom, Giovani Feltes (do aliado PMDB), num discurso emocionado, não poupou a governadora classificando-a de “insípida, inodora e incolor”.

Vários prefeitos, além do próprio presidente da Famurs, consideraram insuportável a omissão do governo do Estado diante da crise do setor calçadista. As queixas são muitas, do transporte escolar aos serviços de saúde, mas a unanimidade é a retenção dos créditos de exportação que Yeda já avisou que não liberará tão cedo. Sobraram também muitas críticas à morosidade com que o governo federal vem se movimentando para aplacar a crise do setor. De Brasília, os calçadistas esperam a desoneração do PIS/Confis e medidas complementares mais fortes como uma taxação ainda maior sobre as importações de produtos chineses.

Postado por Maneco no http://rsurgente.wordpress.com/

domingo, 13 de julho de 2008

PT e PDT dão largada na disputa eleitoral de 2008




Já está no ar o site onde constam todas as informações relativas à candidatura de Tarcísio e Lorena para a Prefeitura de Novo Hamburgo.
Nele você terá acesso às notícias mais recentes da campanha, à agenda dos candidatos e da mobilização. Além disso, é possível fazer conhecer os candidatos a vereador e fazer downloads dos jingles e materiais de campanha.



Para que a nossa militância fique sempre por dentro do que está acontecendo, o site é atualizado diariamente.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Advogado Ruy Noronha retira candidatura a prefeitura de NH




A grande surpresa da noite ficou por conta dos trabalhistas do PTB. Numa fala empolgante e surpreendente, o candidato à Prefeitura pelo PTB, Rui Noronha, abriu mão da sua candidatura em apoio aos nomes de Tarcísio e Lorena para comandar a administração municipal. A partir da noite do dia 2 de agosto, portanto, também o PTB passou a apoiar o grupo de partidos que compõem a coligação Meu Coração diz Sim!.


Novo Hamburgo - O advogado Ruy Noronha anunciou ontem a decisão de retirar sua candidatura a prefeito de Novo Hamburgo pelo PTB. Em reunião à tarde, ele protocolou pedido de renúncia, alegando falta de recursos para a campanha. Noronha também pretende se desfiliar da legenda. O presidente da comissão Provisória do partido, Carlos Finck, disse que a solicitação de renúncia vai ser encaminhada amanhã à Justiça Eleitoral. “O pedido deveria ser arquivado ainda hoje (sábado), mas devido à falta do reconhecimento de firma não foi possível.” Finck acredita que para o PTB a saída de Noronha vai ser bastante Significativa. “Ele é uma boa pessoa.”


Fonte : Jornal ABC Domingo





Política - Reviravolta nas eleições de Novo Hamburgo


03/08/2008 às 10:21


Ruy Noronha, do PTB, anuncia na festa de aniversário de Tarcísio Zimmermann que abre mão de sua candidatura a prefeito de Novo Hamburgo e manifesta seu apoio ao PT.
Tarcísio João Zimmermann comemorou na noite deste sábado, 2 de agosto, seus 54 anos completados dia 24 de julho. No ginásio dos comerciários, o candidato do PT à prefeitura recebeu o abraço de centenas de amigos, militantes, filiados e simpatizantes. Visitantes ilustres como o ministro da Justiça Tarso Genro, o ex-ministro e vice-governador Miguel Rosseto e os deputados estaduais Raul Pont e Ronaldo Zulke. Mas o abraço que mais surpreendeu foi do ex-candidato Ruy Noronha.
Noronha relatou que durante o sábado tomou a decisão de retirar sua candidatura à prefeito depois de realizar uma reunião partidária e confirmar a falta de recursos para a campanha – que já vinha sendo ventilada a mais dias. O presidente da comissão provisória do partido, Carlos Finck, disse que a solicitação de renúncia vai ser encaminhada à Justiça Eleitoral nesta segunda-feira, dia 4. Só não foi feito isto no sábado porque não foi possível reconhecer a assinatura do candidato. O advogado Ruy Noronha compareceu a festa de aniversário de Tarcísio Zimmermann acompanhado da esposa, do presidente do partido, Carlos Finck e de candidatos a vereadores pelo PTB. Porém foi notado a ausência dos vereadores do PTB: Renan Schaurich e Jesus Maciel Martins.
A presença de Carlos Finck na atividade festiva do PT deixa em evidência uma posição da presidência do PTB em não lançar uma outra candidatura própria. Desta forma, é de conhecimento público que permanecem na disputa do cargo de prefeito de Novo Hamburgo, apenas três candidatos: Tarcísio Zimmermann, Jair Foscarini e Ralfe Cardoso.

FONTE : Novohamburgo.org

quarta-feira, 2 de julho de 2008

15. Mais um gaúcho na Capital Federal

Cheguei em Brasília, no final de junho de 2008...


...viajei a trabalho, acompanhando uma comitiva do Vale do Sinos, 
empenhada em buscar soluções para o problema rodoviário da 
Região Metropolitana de Porto Alegre, especialmente o esgotamento da BR 116.


Mas também aproveitei para visitar meu irmão, Gilson Andrade,...que trabalha na Caixa..
 Não fui em busca do ouro, embora tenha visto ouro na terra,..



Brasília é uma cidade de decisões, muitas reuniões...


 
 ... e muitos negócios. Na foto, Miguel Schmitz, do Gruposinos, falando 
das vantagens  do Ministério dos Transportes anunciar no jornal NH (rsrsrs).


Em Brasília os adversários sentam-se,
 lado a lado, defendendo interesses comuns...



 

  ... enquanto as reuniões se sucedem.



No final de junho, a cidade estava de luto, 
pelo falecimento da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.



Em Brasília sempre nos sentimos próximos do poder,


Em Brasília os espaços são amplos, 
todo o perto é muito longe 
e o céu aproxima-se da terra...
O urbano e o rural coexistem.
 e se não fosse o clima seco,
 seria o nosso pampa, 
o mesmo horizonte que se perde no olhar.



 
 Brasília é bela por sua natureza e bela pela sua arquitetura.



Em Brasília a genialidade de alguns, 
uniu-se ao trabalho de muitos.  
Mas sempre sobra tempo para um barzinho 
ou para prosear com  Juscelino...
mas a prosa com ele tem que ser séria
porque senão dona Sara nos xinga.
A magia de Brasília é tanta que você se pergunta 
se é uma foto ou  uma pintura?
É parte da cidade ou 
é uma obra de arte que fotografei?



                                                                                                           Gilnei Andrade