Era uma vez
um lugar selvagem,
habitado por seres primitivos
que nada sabiam,
além de caçar e pescar,
amar e serem deliciosamente
felizes...
em naves balançantes
de grandes panos brancos,
chegaram e trouxeram
a doença, o trabalho e a morte.
nunca se entrega à terra.
Trouxeram fumaça, herbicidas,
supositórios, carne de soja e leite em pó...
miséria e da destruição.
E vieram idéias, costumes diferentes,
castigos, dores e tristeza.
E cresceram casas, cercas,
muros, terreiros e janelas,
flores morrendo em vasos,
pássaros engaiolados,
matemática moderna, física,
pai-nossos e aves-maria,
proclamações, constituições,
reis, imperadores, presidentes,
deputados, senadores, generais,
constituições e uma corja
de ladrões...
E brotaram edifícios, carros,
barulho e cidades, motéis e lancherias.
E o consumismo, filho do capitalismo,
casou com a poluição,
filha do desenvolvimento
- nasceu a constituição outorgada,
o parque nacional de
o conflito mundial,
e a ideologia de segurança nacional.
ninguém suporta mais.
São generais
eleições marcadas
imprensa censurada,
informações deformadas,
governadores nomeados,
prefeitos indicados,
medidas de emergência,
salvaguardas nacionais,
governos de decreto,
nasceu até o Delfim Neto
dessa bandalheira total...
Gilnei Andrade - janeiro de 1984
























