I m A g E m

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O velho do espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

28. VIDAS CURTIDAS, VOZES DUBLADAS E SONHOS EXPORTADOS


                                                  A memória do setor coureiro-calçadista: 
 os trabalhadores do setor nos anos 1970 e 1980 



PRIMAVERA SINDICAL

 Juntos busquemos um alento
 para nossa aflição, 
vamos parar um momento
 para prestar atenção,
 vamos olhar nossos pés,
 que além de instrumento
 da nossa locomoção,
 registram nosso sentimento 
 e mostram nossa situação. 

 Do serviço para casa, 
de casa para o sacrifício
 são nossos pés os indutores 
 desse ‘ativo circulante’
 que engrandece e garante
 a mordomia “dos homens”
 e a riqueza da Nação. 

Na nudez do chão da fábrica 
 e na rapidez da esteira de produção, 
 o barulho, a poeira e o cheiro da cola 
 ensinam ao pobre obreiro 
que junto com cada par de sapato 
 que segue para o estrangeiro
 também segue suor e cansaço 
 de um trabalhador brasileiro, 
 também vão pedaços de sonho 
 de um operário sapateiro. 

 Assim se revela o segredo 
 dessas engolidoras de gente 
 do Rio Grande de São Pedro,
 o trabalhador serve de alimento 
 para a fábrica de onde tira o sustento... 
Assim é a vida dos sapateiros e sapateiras 
do Vale do Rio do Sinos, 
que são brancos, são negros, são crianças, 
são adultos, são meninas, são meninos... 

Tudo se inovou na capital nacional 
nenhuma fábrica pioneira resistiu 
 aos ventos da crise neoliberal, 
 Novo Hamburgo avançou mesmo assim 
 tornou-se uma cidade, 
um lar para todos, para ti e para mim. 

 

Os jovens ciclistas de Sapiranga 
 as mulheres – marlises e jacobinas –
 e os homens - jorge, leopoldo e joão - 
 todos dias se jogam do Ferrabras, 
 almas e asas multicoloridas 
 para os braços da exploração. 
A força da união muda a vida 
e mostra a cada trabalhador que
só ensina quem continua aprendendo,
 que se revolucionarmos de fato, 
 nosso receio vira coragem,
 nosso planejamento, atitude
 e nossa vontade vira ato. 
Chega de tanta espera, 
Vamos reavivar 
a chama do sindicato 

 Para que nosso time seja ‘fera’, 
Seja Nelson Sá, Orestes, Osvaldo, 
 Breno, Charuto, Bahia, Vera,
Barão, Almerinda, Nestor Machado,
 Fabrasil, Fábio, Nolasco
 Dori, Mauro Pacheco, João Matias, 
Américo, Guido, Alcides, Beto
Guido, Luiz Monteiro, Osní
Irovan, Lena e Milton Rosa...  



 A história acontecida 
 ao longo de nossas vidas 
 está muito mais presente
na memórias do povo
 que nas páginas do eneagá, 
peço nessa despedida final,
 a nós que somos o passado presente 
 no vitorioso futuro que virá, 
lembremos 1917, 33, 68 e 86, 
as vidas curtidas, vozes dubladas
 e sonhos exportados são rosas 
anunciando a primavera sindical. 
  
Gilnei Andrade - dez. 2010

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