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O Velho do Espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Expedições e Crônicas das Origens

                                 Santa Catarina na Era dos Descobrimentos Geográficos (1501-1600)

Canibalismo, histórias de piratas, de conquistas de terras tão exóticas como hostis e uma fauna e flora descritas entre o real e o mítico. Este é o ambiente em que personagens históricos se movimentam na obra do pesquisador brasileiro Amílcar D'Avila de Mello, Expedições e Crônicas das Origens – Santa Catarina na Era dos Descobrimentos Geográficos (1501-1600) lançado em outubro de 2005 pela editora Expressão.

O livro, dividido em três volumes em capa dura e generosamente ilustrado com mapas, óleos, gravuras e fotografias, é fruto de quase quinze anos de pesquisa entre Brasil, Espanha, Inglaterra, EUA e países da Bacia do Prata. Nos dois primeiros volumes, o escritor aborda as expedições em terras e águas do Sul do Brasil ao longo do século XVI e, o terceiro volume – articulado em uma espécie de antologia – abriga informações de mais de 50 cosmógrafos, religiosos, capitães de navios e outros personagens que escreveram sobre a região naquele período. Argumentando que é impossível escrever a história da Santa Catarina quinhentista sem situá-la no conceito mais amplo da exploração, conquista e colonização européias da Bacia do Rio da Prata, Amílcar afirma que "contar a história do primeiro século da presença européia nestas latitudes é, principalmente, trazer à luz a gesta dos espanhóis em nossa terra".



 O historiador explica porque ainda não se contou, em detalhes, a história de Santa Catarina vinculada à América espanhola: "Há pouco mais de um século, as fronteiras meridionais da nação eram disputadas a 'espada e a pata de cavalo', como ainda costumam dizer os descendentes dos guerreiros que ajudaram a desenhar o mapa do País. É compreensível, pois, o ranço ufanista dos diplomatas e intelectuais brasileiros do passado que, defendendo interesses geopolíticos, privaram os catarinenses de mais de um século de sua história colonial 'varrendo-a para debaixo do tapete'".


Não é por acaso que a imensa maioria das expedições e dos cronistas compilados pelo autor são espanhóis, como Martín Fernández de Enciso, Luis Ramírez, Alonso de Santa Cruz, Alvar Núñez Cabeza de Vaca, Martín del Barco Centenera e outros que, como eles, escreveram sobre as conquistas no Novo Mundo. Como descreve Amílcar no primeiro volume de Expedições, muitos destes cronistas se encontravam "em condições extremas, sob a constante ameaça de ataques indígenas, de doenças ou ferozes onças que não poupavam conquistadores nem conquistados". A partir de relatos extraídos de cartas pessoais, oficiais e documentos do aparato burocrático da Coroa Espanhola, o pesquisador reconstituiu o cotidiano quinhentista tanto pela ótica européia como pela dos conquistados.Fiel ao espírito da época, Amílcar lembra que, diferente do que se costuma acreditar, os exploradores estavam longe de meros aventureiros. "Trata-se dos astronautas daquele tempo", reitera o escritor, destacando a importância e juventude dos membros das expedições.
Também o papel da Espanha daquela época, como uma potência mundial, fica claro em capítulos como "A Coroa do Rei da Espanha é a Órbita do Sol", no segundo volume da obra que tem mais de 1500 páginas.


A publicação desta primeira edição do livro pela Editora Expressão(1.500 exemplares), com documentos e informações inéditas que dão nova luz às pesquisas sobre aquele período, foi possível através do patrocínio da estatal brasileira Petrobras, e não estará disponível comercialmente. Entretanto, ciente da lacuna que as informações ali contidas vão preencher na narrativa histórica dos descobrimentos, Amílcar Mello organizou este trabalho de forma a poder publicá-lo em até cinco ou mais volumes. Assim, acredita o autor, Expedições e Crônicas, numa próxima edição diluída em livros menores, poderá ser também acessível a um público leitor maior que, sem dúvida, pretende atingir.



O texto fluído que prende mesmo o leigo pela narrativa ágil e riqueza de informações é mais um atrativo forte da obra de Amílcar Mello para o mercado editorial convencional. Mas a importância do livro extrapola em muito seu seguro sucesso comercial. Para o autor, "crônicas como estas não se limitam a descrever as peripécias vividas pelos recém-chegados em um continente onde praticamente tudo era surpresa. Eles conviviam com histórias de habitantes de um mundo que, para eles, passou a 'existir' de uma hora para outra".

Sobre o autor:
Natural da fronteira de Sant'Ana do Livramento, Brasil, e Rivera, Uruguai, Amílcar D'Avila de Mello vive na Lagoa da Conceição, ilha de Santa Catarina. Historiador com especialização em etnolingüística, exerce a profissão de tradutor e intérprete simultâneo nos idiomas inglês, espanhol e português. Na ONG PAS – Projeto de Arqueologia Subaquática –, coopera como pesquisador e coordenador de parcerias internacionais. Explorador moderno, Amílcar percorre transversalmente, à margem da academia, áreas ainda pouco trilhadas por estudos tradicionais.



Ficha técnica: ISBN 8587887025 1ª edição 623 p. 28,5x23cm
Data da edição: 2005 Editora:Expressão

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