I m A g E m

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O velho do espelho

"Por acaso, surpreendo-me no espelho:
quem é esse que me olha e é
tão mais velho do que eu?
Porém, seu rosto...é cada vez menos estranho...
Meu Deus,Meu Deus...Parece meu velho pai -
que já morreu"! (Mario Quintana)

P E S Q U I S A

quarta-feira, 29 de maio de 2013

25. Quando um anjo cai na casa da gente


Para o Criador o tempo não existe, trata-se de apenas mais uma das tantas coisas que criou. Nós, seus filhos na Terra, somos governados, sofremos e festejamos a existência de um passado, um presente e um futuro.


Mas ás vezes, só para testar nossas potencialidades Ele cria anjos, como quem sopra bolinhas de sabão e os envia para junto dos seus insignificantes filhos terrenos.

E esses anjos, caídos ou enviados, germinam no ventre das filhas da Terra e essas criaturinhas, uma pitada de sangue coagulado e duas de sopro divino, ao nascer dão a luz que ilumina e dá sentido a existência nas malocas ou nos palácios.

Pouco tempo atrás, não importa quanto exatamente porque a medida que o homem caminha sobre a Terra torna-se aliado do tempo e inimigo das horas, um segundo anjo bateu as portas de nossa morada. Ganhou lá no céu das bisavós grandes olhos azuis, ganhou dos pais, na terra, bochechas salientes e tomou emprestado na viagem um brilho de sol que lhe pintou os cabelos.


Pois no tempo cronometrado da terra, o anjo cresceu rápido, falou precocemente e demorou para andar porque nunca mais iria parar. Deixou de ser anjo, em anjo-criança se transformou e os pais e amigos choraram pela felicidade que sentiram.


Depois o anjo-criança muito mais caminhou, estudou, representou, cantou e encantou. O anjo-criança representou ser adulto e colocou-se no lugar dos outros que nunca se colocaram no lugar dela mas pensam que a governam.

E hoje o anjo quer mais. Sentindo-se forte e sentindo fogo nas asas, que pensa esconder de nós, quer voar para mais longe, quer conhecer outros lugares um pouco além da segurança do ninho.


Eu olho esse anjo adultoscente e vejo nos seus olhos e no seu rosto a semelhança da minha mãe e das minhas avós. Vejo numa só criatura a dor e a alegria de gerações, que no tempo da terra já se foram, mas que no tempo do Criador continuam a nos abençoar.


Anjo do pai e da mãe, presente do Criador que cresceu e quer viver. Que quer sofrer e amar. O que posso fazer ou dizer além de abençoar?

Vai, filha descobre o mundo mas volta antes das dez. Mostra para eles do que tu és capaz mas não esquece a chave de casa. Arranca do estranhos os aplausos que nossas mãos doloridas de ofertam a tanto tempo, só não esquece o agasalho porque vai esfriar e pode chover.


Feliz aniversário, minha filha. Só não esquece que todo mundo passou pelos dezesseis para chegar nos dezessete. Uma longa vida de muita luz. Beijos.


                              Do pai, da mãe e do irmão da terra, aos oito dias de junho de 2008.
                                                                

                                                                                           Gilnei Andrade

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